quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hitchcock


Como contar a história de um gênio em menos de duas horas?
Como homenagear o mestre do suspense de maneira respeitosa e digna?
Simples! Narrando apenas uma parte de sua vida, um evento significativo e neste caso, apenas a história de Alfred Hitchcock em torno da construção de sua grande obra-prima, Psicose.

Baseado no livro Os Bastidores de Psicose do autor Stephen Rebello, Hitchcock é um filme de riquíssima direção de arte (que nos menores detalhes reproduziu a Holywood dos anos cinqüenta), perfeita maquiagem (que realmente trouxe Alfred à vida), linearidade narrativa e sem receio em mostrar o lado perturbado deste diretor, até hoje estudado por qualquer amante de cinema.

Segundo palavras do próprio Sacha Gervasi (diretor do filme), a ideia era ter um ator que não imitasse Hitchcock, mas que interpretasse o mesmo de maneira “Hitchcockiana”. Nunca ter dirigido um longa metragem não foi problema para Sacha, que contou com dois sólidos pilares chamados Helen Mirren (A Rainha) e Anthony Hopkins (o eterno Hannibal Lecter), que por esta atuação merecia ter concorrido ao Oscar de Melhor Ator em 2013.


Eu poderia comentar sobre a bela e encantadora participação de Scarlett Johansson (Os Vingadores) como Janet Leigh, ou então Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine) na função de ponto de conflito entre o casal protagonista, mas a verdade é que Hitchcock é e sempre será sobre Hitch e Alma!

Dotado de grande simplicidade e poderosos momentos cênicos, este é um daqueles filmes que "enche os olhos" de assistir. Momentos como a briga conjugal ao final do segundo ato é, além de forte, uma amostra da genialidade e egocentrismo de Alfred, um homem perturbado com a própria e fantástica mente, além da eterna busca pessoal pela perfeita loira “Hitchcockiana”.


Com uma linda trilha sonora, Danny Elfman me fez lembrar seus tempos de Gênio Indomável (1997), com mais notas de piano e menos orquestrações típicas dos filmes de pesado orçamento. Vale comentar que Hitchcock foi lançado pela Fox Searchlight Pictures, braço da Fox voltado a filmes mais baratos, autorais, distantes do mercado de blockbusters e realizados entre dois ou mais países.

Além do histórico agradecimento à sua esposa no AFI Life Achievement Award de 1979, eu não saberia dizer se a romântica frase do final do filme (sem spoiller) realmente existiu, mas independentemente disso, a forma pouco floreada e direta como ela é dita à Alma, a torna uma belíssima homenagem a esta grande mulher, que sempre esteve atrás deste eterno ícone da sétima arte.


Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.

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