sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quando um Cantor Vira Ator (Parte II)


David Bowie poderia se encaixar nessa lista de cantores que viraram atores, mas quem acompanha sua longeva carreira, sabe que interpretar frente às câmeras é algo tão natural a ele, quanto cantar com aquela belíssima voz grave, aveludada e sexy... Desculpe a empolgação (suspiros).

Desde sempre Bowie mesclava sua música em shorts vídeos, clipes e shows performáticos, criando personagens próprias de sua mente artisticamente borbulhante. Afinal, Ziggy Stardust, Thin White Duke poderiam perfeitamente ser protagonistas de Labirinto ou Fome de Viver (para citar apenas duas obras cinematográficas do mestre camaleônico), mas fizeram parte do enredo de álbuns que mudaram a história da música.


Não à toa, seu primeiro grande papel foi como um alienígena no singular O Homem Que Caiu Na Terra (1976), filme no qual quem não conhecia David como cantor (existe isso?), não notou nenhuma deficiência na arte de atuar, tamanha identificação com o weird/freak exigido pelo papel.  


Tendo toda sua obra intrinsecamente ligada com o aúdio-visual, nota-se que não houve na verdade um turning point de cantor para ator, e sim uma expansão do universo Bowie, pois cá entre nós, o que ele representa no mundo da arte não cabe em apenas uma forma de expressão. Considero Bowie o inventor do conceito multimídia em sua excelência, e se aqui devemos citar seus trabalhos cinematográficos, abaixo forneço algumas dicas para o leitor se deliciar com nosso querido Ziggy.

Além do imperdível O Homem Que Caiu Na Terra, vale muito dar uma espiada em Furyo, Em Nome da Honra (1983), filme denso com grandes conotações históricas e tradicionais.

Labirinto - A Magia do Tempo (1986), do mestre Jim Henson, onde Bowie além de estar com o melhor wardrobe de um show nunca realizado, compôs as canções do filme (algumas em parceria com Trevor Jones, compositor da parte sinfônica) e as canta com sublime sensibilidade. Destaque óbvio para a eterna As The World Falls Down. Ouví-la e ver Bowie/Jareth, The Goblin King e a belissíma Jennifer Connelly foi um dos momentos mais marcantes dos anos 80.


Fome de Viver (1983), completamente Cult movie do finado Tony Scott, no papel de um centenário vampiro, com Catherine Deneuve, Susan Sarandon e muita umidade.  


A Última Tentação de Cristo (1988), visão não tão aceita de Martin Scorcese sobre Jesus. David faz um Pilatos com uma belíssima voz e plácido, como raramente é visto.


Basquiat - Traços de uma Vida (1996), onde David nos inunda interpretando Andy Warhol. Elenco monstruosamente top, de Christopher Walken a Gary Oldman. Uma obra de arte para os de fino gosto e alma plena, ou seja, imperdível.  


At last but not least, O Grande Truque (2006), de Christopher Nolan, onde o gênio loiro interpreta o genial Nikola Tesla (não a bandinha de Hard Rock!!!). Não sou fã do diretor em questão e nem Wolverine (leia-se Hugh Jackman), ou Batman (leia-se Christian Bale) juntos tem tanto sabor quanto o Bowie!


Well, acho que é isso! Não se prenda a um álbum, um filme... até mesmo seus vídeo clipes são graciosas amostras de genialidade. Duvida? Então confira o novo video clip The Next Day com Gary Oldman e Marion Cotillard!

Redundâncias à parte, digo que Bowie é mais do que um cantor, um ator, ou qual palavra tentemos usar para adjetivá-lo. Bowie is Bowie e ponto final.



Texto de Rogério Ferrari

terça-feira, 14 de maio de 2013

Evil Dead - A Morte do Demônio



Antes de se tornar mundialmente conhecido pela primeira trilogia do Homem Aranha, o jovem Sam Raimi teve a ideia de fazer um filme sobre um demônio que perseguia jovens para tentar possuir suas almas em uma cabana, no meio de uma floresta. Com esse argumento em mãos, nascia A Morte do Demônio (1981), título escolhido pela Look Filmes, distribuidora brasileira do filme que foi sucesso em todas as locadoras da época.

Sam Raimi já havia criado uma prévia do clássico em 1978, quando dirigiu o curta metragem Within the Woods e após três décadas do lançamento desde verdadeiro cult, Raimi retorna o universo que criou, mas desta vez como produtor do remake dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, conhecido pelo curta scifi Ataque de Pánico! (2009).
 
Diablo Cody (premiada pelo roteiro de Juno) reescreveu a premissa de jovens sendo perseguidos na floresta por uma entidade, para uma jovem que, com ajuda de amigos e um irmão, tenta se livrar da dependência química em uma cabana de herança familiar. Por não aceitar a renúncia e precisar lidar com as consequências da abstinência, a protagonista apresenta atitudes alucinantes e nada coerentes, no mesmo momento em que um professor universitário liberta o demônio aprisionado em um livro escrito com sangue e feito por tecido humano, o mesmo O Livro dos Mortos do longa original.
 
 
Adaptada para uma realidade atual e mais coesa, esta nova versão é extremamente violenta e agonizante, abandonando o suspense original e o humor característico da década de 1980. Fede Alvarez demonstrou coragem ao manter a nojeira do original, porém indo além e abusando com um gore de dar inveja a qualquer Jogos Mortais. Alvarez também retratou alguns elementos clássicos que agradaram a maioria dos fãs, apesar de muitas cenas não fazerem jus ao clássico, que por sinal foi um divisor de águas. Até por isso me pergunto: era realmente necessário efetuar este remake?
 
 
Raimi e Alvarez já comentam sobre uma possível futura trilogia, ou mesmo sobre a volta do saudoso Ash à sua eterna cabana, algo que certamente animaria antigos fãs como eu, pois confesso que esta repaginada me causou mais mal estar do que a diversão que senti décadas atrás.
 
A propósito, não perca a cena pós-créditos!
 
Texto de Alex Heilborn

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hitchcock


Como contar a história de um gênio em menos de duas horas?
Como homenagear o mestre do suspense de maneira respeitosa e digna?
Simples! Narrando apenas uma parte de sua vida, um evento significativo e neste caso, apenas a história de Alfred Hitchcock em torno da construção de sua grande obra-prima, Psicose.

Baseado no livro Os Bastidores de Psicose do autor Stephen Rebello, Hitchcock é um filme de riquíssima direção de arte (que nos menores detalhes reproduziu a Holywood dos anos cinqüenta), perfeita maquiagem (que realmente trouxe Alfred à vida), linearidade narrativa e sem receio em mostrar o lado perturbado deste diretor, até hoje estudado por qualquer amante de cinema.

Segundo palavras do próprio Sacha Gervasi (diretor do filme), a ideia era ter um ator que não imitasse Hitchcock, mas que interpretasse o mesmo de maneira “Hitchcockiana”. Nunca ter dirigido um longa metragem não foi problema para Sacha, que contou com dois sólidos pilares chamados Helen Mirren (A Rainha) e Anthony Hopkins (o eterno Hannibal Lecter), que por esta atuação merecia ter concorrido ao Oscar de Melhor Ator em 2013.


Eu poderia comentar sobre a bela e encantadora participação de Scarlett Johansson (Os Vingadores) como Janet Leigh, ou então Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine) na função de ponto de conflito entre o casal protagonista, mas a verdade é que Hitchcock é e sempre será sobre Hitch e Alma!

Dotado de grande simplicidade e poderosos momentos cênicos, este é um daqueles filmes que "enche os olhos" de assistir. Momentos como a briga conjugal ao final do segundo ato é, além de forte, uma amostra da genialidade e egocentrismo de Alfred, um homem perturbado com a própria e fantástica mente, além da eterna busca pessoal pela perfeita loira “Hitchcockiana”.


Com uma linda trilha sonora, Danny Elfman me fez lembrar seus tempos de Gênio Indomável (1997), com mais notas de piano e menos orquestrações típicas dos filmes de pesado orçamento. Vale comentar que Hitchcock foi lançado pela Fox Searchlight Pictures, braço da Fox voltado a filmes mais baratos, autorais, distantes do mercado de blockbusters e realizados entre dois ou mais países.

Além do histórico agradecimento à sua esposa no AFI Life Achievement Award de 1979, eu não saberia dizer se a romântica frase do final do filme (sem spoiller) realmente existiu, mas independentemente disso, a forma pouco floreada e direta como ela é dita à Alma, a torna uma belíssima homenagem a esta grande mulher, que sempre esteve atrás deste eterno ícone da sétima arte.


Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.