quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Será que o romance está com seus dias contados?

Este é o segundo texto de minha autoria e o começo dizendo: ou a indústria de filmes de Hollywood ficou piegas, ou definitivamente mudei de gênero!

No último final de semana assisti a três filmes na linha “água com açúcar”, exatamente como eu sempre gostei. Gostei, conjugado no passado, exatamente, porque já não me agrada mais. Explico:

Houve uma época em minha vida onde Armageddon de Michael Bay (sim, o mesmo de Transformers) foi um lindo filme de amor. A mistura da dureza da guerra e da leveza da paixão, ao som de I Don´t Wanna Miss a Thing que me fez sair suspirando do cinema, muito provavelmente porque minha juventude me ajudava a sonhar com aquilo que assistia.

Acontece que o tempo, cruel em muitos casos, traz experiência nos deixando menos inocentes e claro, blindados contra armadilhas tolas e ingênuas. No meu caso, esses filmes passaram de encantados a indigestos!

Mas voltando aos filmes do final de semana, aluguei Para Sempre (de Michael Sucsy) com o queridinho da moda Channing Tatum (G.I. Joe e Anjos da Lei) e o único comentário digno de ser feito é o quão bizarro foi assistir um cara amar alguém que sequer lembra dele, pelo simples fato de ter jurado que um dia ficaria “para sempre com ela”.  Ao menos não forçaram um final feliz prêt-à-porter, mas ainda sim a historinha batida da pobre menina rica problemática e do bonitão certinho e pobre já deu o que tinha que dar!


Quando fui entregar na locadora, estava no balcão o filme Querido John (de Lasse Hallström), baseado no romance homônimo de Nicholas Sparks, autor de vários sucessos que foram adaptados para o cinema como Um Amor para Recordar, Noites de Tormenta, Uma Carta de Amor, etc. Ok, eu era fã, confesso! Mas, ou os atores (Amanda Seyfried de Cartas para Julieta e novamente Channing Tatum de... Bom, vocês já sabem de onde!) não colaboraram, ou eu que não cai desta vez!
A historinha da mocinha benevolente que larga do bonitão por uma carta para ficar com o divorciado doente terminal pai de um menino especial, definitivamente não conseguiu me convencer.


As mistura de amor à pátria, com coleção de moedas (dando direito, inclusive, a cenas da casa da moeda americana), de soldados americanos salvando o mundo em diversas excursões a países longínquos (os quais não se pode mencionar nas cartas “por questões de segurança” – ohhhhhh -), além da historia de pessoas que sofrem de autismo, câncer, problemas de socialização e 11 de Setembro, gerou um enredo que cansa só de ler, imagina assistir.

O tom pesado mais atrapalhou que divertiu, pois vamos combinar: quem aluga um filme desses quer ter ao menos duas horas de entretenimento e não de desgraça! Se for assim, basta ligar no noticiário e curtir o trágico cenário da vida real.

Bom, após essas duas tentativas frustradas eu, como uma boa brasileira, decidi tentar por uma última vez, para com o filme Um Divã Para Dois, da consagrada Meryl Streep (Dama de Ferro) e o já manjado Tommy Lee Jones (Homens de Preto). Talvez eu tenha aproveitado algumas passagens, mas o filme é muito caricato e a história muito batida e cansativa!

No longa ambos são casados há 32 anos, quando ela decide que eles precisam fazer terapia de casal. De modo geral as cenas são simples, mas a maneira como as perguntas são diretas e o silêncio imposto pela distância do casal, me fez suar as palmas das mãos como se eu mesma estivesse no inquérito do terapeuta.

É um filme áspero, que desce meio torto, nos fazendo perguntar por que foi tão desconfortável de assistir. Talvez Meryl não pudesse resvalar a sua personagem em nenhuma das outras da sua galeria, causando uma inflexibilidade de personagens estereotipados, que permanecem iguais do início ao fim, tornando o filme bastante cansativo.

Após essas algumas horas assistindo as tentativas de obras cinematográficas, concluí que tenho saudades de filmes inteligentes, que nos distraiam do começo ao fim, fazendo as horas voarem, numa sinergia bacana, sobre o que se espera do filme e o que ele realmente oferece.

Pode ter sido uma onda de azar, ou simplesmente os bons tempos de Cidade dos Anjos, A Casa do Lago, Uma Linda Mulher, Um Lugar Chamado Nothing Hill (e assim por diante) talvez estejam em vias de terminar, nos restando apenas rasas tentativas de arrancar alguns suspiros teens a la Crepúsculo


Que venha os tais Cinquenta Tons de Cinza e que Deus nos proteja!

Texto de Cassy Fenga