sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O HOMEM DE AÇO


Não é novidade que Hollywood passa por um momento onde a criatividade necessária para produzir blockbusters (preferencialmente em três dimensões que rendem números mais gordos de bilheterias) é cada vez mais escassa. São raros os argumentos verdadeiramente bons e engajadores, fazendo com que a indústria de cinema canalize todos os seus esforços e verbas em filmes baseados em histórias em quadrinhos, que por natureza já carregam consigo uma legião prévia de fãs, ou em remakes, prequels, sequels e reeboots de obras famosas e idolatradas, que, em teoria, são fonte certa de lucro.

Assim como os novos Jornadas nas Estrelas, Homem Aranha e Batman, O Homem de Aço (Man of Steel) segue a filosofia de recontar e ignorar (ao menos em partes) tudo o que já foi estabelecido sobre o super herói mais famoso de nossa história recente.

Fruto da união de Zack Snyder (300 e Watchmen), cineasta ciberpunk viciado em histórias em quadrinhos e Christopher Nolan (nova trilogia Batman), produtor e atual messias do universo DC nos cinemas, O Homem de Aço mostra um super homem reformulado, mais agressivo, cheio de conflitos e másculo, arrancando suspiros das mocinhas em cenas sem camiseta, ou em closes no apertado collant. 

Como já apontado por muitos, a direção de Snyder é visivelmente contida, resumindo-se a prestar homenagens indiretas ao primeiro longa de 1978 (Superman - O Filme, de Richard Donner, com o inesquecível Christopher Reeve), sobrando apenas espaço para os “zoom in – zoom out”, já consagrados na filmografia do diretor. Seus fracassos nos dois últimos filmes A Lenda dos Guardiões e Sucker Punch - Mundo Surreal certamente fizeram pesar a mão de Nolan, que juntamente de David Goyer (roteirista e parceiro de longa data) exagerou no núcleo “Planeta Terra”, talvez com a preocupação de não deixar pontas soltas e criar um vínculo emocional forte entre o “alienígena de Krypton” e a famosa repórter Louis Lane, mesmo tipo de erro cometido por Kenneth Branagh em Thor (2011).

A grande mudança contextual de Louis na vida de Clark (vivido pelo praticamente desconhecido Henry Cavill), além de não agradar aos antigos fãs de quadrinhos, ou dos filmes de Reeves, fez com que se perdesse muito tempo de projeção para desenvolver a relação de ambos, desperdiçando preciosos e caros minutos que poderiam ser mais bem aplicados no desenvolvimento do protagonista.


Outra alteração significativa é que agora temos um Kal-El mais sombrio e com razões para desconfiar da humanidade, fornecendo argumento que pode, ou não, ser utilizado nos próximos filmes como motivador para aproximá-lo de nós, reles humanos. Confesso que aplaudi esta mudança, até por ser um fã de longa data do Cavaleiro das Trevas. Retratar o protagonista como um imigrante interplanetário, dominado por sensações humanas como a raiva e arrependimento, foi uma jogada de mestre. Pontos para Nolan, Goyer e também Michael Shannon, que interpretou o ótimo e insano vilão General Zod.

Em Man of Steel também vemos um roteiro com falhas que, por exemplo, não explicam a “transmissão em super wifi intergaláctico” da consciência de Jor-El de Krypton para Terra. Tecnicamente o uso de flash-back como artifício para narrar eventos passados é interessante, quando aplicado na dose certa. Intercalar uma série de cenas de ação com momentos do passado de Clark em outro ritmo, outra trilha sonora e outra paleta de cores me causou uma sensação de estranheza quanto à edição do longa. Espalhar flash-backs durante uma projeção funcionava muito bem na série Lost, porém neste filme eu preferiria ter assistido à sequencias inteiras de cenas pretéritas, a vê-las de forma fragmentada, atrapalhando o andamento da narrativa principal.

Alternando entre pequenos problemas e cenas de babar, o longa conseguiu definir uma personagem mais próxima da nossa realidade e da nossa ciência, deixando apenas a saudade da antiga e espetacular música tema criada por John Williams, preterida pelo questionável Hans Zimmer.

Aguardemos sua próxima aventura já anunciada este ano na Comic Con , que terá com o título Superman versus Batman.


Um abraço, para o alto e avente!

Texto de Eligio W. Junior

terça-feira, 4 de junho de 2013

Homem de Ferro III

   

Perdendo apenas para Avatar, Titanic, Os Vingadores, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II, Homem de Ferro 3 acaba de se tornar a quinta maior bilheteria da história do cinema e isso graças ao excelente planejamento e amarrações de roteiros gerenciados pelo Estúdio Marvel, do primeiro filme da franquia Iron Man até o longa dos Vingadores.
Enquanto em Homem de Ferro 1 vimos um Tony Stark se tornando um herói enlatado com complexo de Deus e esbanjando canastrice, em Homem de Ferro 2 encontramos uma personagem privatizando a paz mundial (palavras do próprio Stark) e lutando para não morrer nas mãos daquilo que ironicamente é sua fonte de poder (o reator de palladium no meio do peito), para finalmente em Homem de Ferro 3 acompanharmos a jornada de “morte e ressurreição” do principal vingador, “gênio, bilionário, playboy e filantropo” (fantástica frase de efeito em Os Vingadores!), que se verá impotente mesmo dotado de enorme inteligência e incontável riqueza. 

Os últimos minutos da película deixam espaço para outros projetos, da mesma maneira que encerram o ciclo criado no primeiro filme. Pela primeira vez assistimos mais de Stark, que passará um longo tempo de projeção sozinho e em busca de caminhos que levem à derrota do perverso vilão Mandarim. O tom nostálgico e reflexivo destes momentos cria o ambiente adequado para o grandioso clímax final, algo diferente dos filmes anteriores e é exatamente por isso, que este filme funcionaria perfeitamente bem como um desfecho derradeiro para Tony e seus brinquedos artificialmente inteligentes. Particularmente não acredito que este será o último longa, ou o último a contar com Robert Downey Jr no papel do protagonista, até porque “Bob” consegue arrancar contratos exponencialmente milionários a cada novo filme.
Sim, Homem de Ferro é apenas mais um filme sobre acontecimentos impossíveis e situações improváveis, mas isso não importa! Ainda mais aos fãs de fantasia e ficção, pois esta é a mais completa franquia dentro deste novo universo Marvel, divertindo e envolvendo o espectador comum com diálogos afiados, atuações precisas oriundas de atores de peso (vale lembrar que o estúdio foi pioneiro ao investir em elencos milionários para elevar o nível dos filmes de heróis, até então desacreditados), efeitos especiais críveis, ao mesmo tempo em que agrada aos fãs de quadrinhos de longa data, com referências diretas dos gibis (os anéis de Mandarim, a armadura do Patriota de Ferro, a Mark 42 sendo recarregada na tomada e assim por diante).

Infelizmente os milhões investidos em cada projeto obrigam os roteiristas a darem mais espaço de tela a Stark e suas batalhas, deixando poucos minutos para os vilões tentarem, sem sucesso, roubar a cena. Por isso fizeram mau uso do eterno Dude Jeff Bridges (Obadiah Stane) na Parte Um, quase acertaram com Mickey Rourke (Ivan Vanko – Whiplash, que por sinal foi o melhor vilão até o momento) na Parte Dois e não conseguiram convencer com o esforçado Guy Pearce (Aldrich Killian) que perdeu espaço para o fantástico e hilário Sir Ben Kingsley (Mandarim) nesta Parte Três.

Homem de Ferro
é um filme para quem gosta do cinema bem realizado e bem atuado (ao menos por porte dos protagonistas). Para quem adora uma boa aventura e para todos os espíritos jovens que conseguem se entregar a uma viagem fictícia sem medo e vergonha. Ou seja, minha recomendação MÁXIMA!!!

Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quando um Cantor Vira Ator (Parte II)


David Bowie poderia se encaixar nessa lista de cantores que viraram atores, mas quem acompanha sua longeva carreira, sabe que interpretar frente às câmeras é algo tão natural a ele, quanto cantar com aquela belíssima voz grave, aveludada e sexy... Desculpe a empolgação (suspiros).

Desde sempre Bowie mesclava sua música em shorts vídeos, clipes e shows performáticos, criando personagens próprias de sua mente artisticamente borbulhante. Afinal, Ziggy Stardust, Thin White Duke poderiam perfeitamente ser protagonistas de Labirinto ou Fome de Viver (para citar apenas duas obras cinematográficas do mestre camaleônico), mas fizeram parte do enredo de álbuns que mudaram a história da música.


Não à toa, seu primeiro grande papel foi como um alienígena no singular O Homem Que Caiu Na Terra (1976), filme no qual quem não conhecia David como cantor (existe isso?), não notou nenhuma deficiência na arte de atuar, tamanha identificação com o weird/freak exigido pelo papel.  


Tendo toda sua obra intrinsecamente ligada com o aúdio-visual, nota-se que não houve na verdade um turning point de cantor para ator, e sim uma expansão do universo Bowie, pois cá entre nós, o que ele representa no mundo da arte não cabe em apenas uma forma de expressão. Considero Bowie o inventor do conceito multimídia em sua excelência, e se aqui devemos citar seus trabalhos cinematográficos, abaixo forneço algumas dicas para o leitor se deliciar com nosso querido Ziggy.

Além do imperdível O Homem Que Caiu Na Terra, vale muito dar uma espiada em Furyo, Em Nome da Honra (1983), filme denso com grandes conotações históricas e tradicionais.

Labirinto - A Magia do Tempo (1986), do mestre Jim Henson, onde Bowie além de estar com o melhor wardrobe de um show nunca realizado, compôs as canções do filme (algumas em parceria com Trevor Jones, compositor da parte sinfônica) e as canta com sublime sensibilidade. Destaque óbvio para a eterna As The World Falls Down. Ouví-la e ver Bowie/Jareth, The Goblin King e a belissíma Jennifer Connelly foi um dos momentos mais marcantes dos anos 80.


Fome de Viver (1983), completamente Cult movie do finado Tony Scott, no papel de um centenário vampiro, com Catherine Deneuve, Susan Sarandon e muita umidade.  


A Última Tentação de Cristo (1988), visão não tão aceita de Martin Scorcese sobre Jesus. David faz um Pilatos com uma belíssima voz e plácido, como raramente é visto.


Basquiat - Traços de uma Vida (1996), onde David nos inunda interpretando Andy Warhol. Elenco monstruosamente top, de Christopher Walken a Gary Oldman. Uma obra de arte para os de fino gosto e alma plena, ou seja, imperdível.  


At last but not least, O Grande Truque (2006), de Christopher Nolan, onde o gênio loiro interpreta o genial Nikola Tesla (não a bandinha de Hard Rock!!!). Não sou fã do diretor em questão e nem Wolverine (leia-se Hugh Jackman), ou Batman (leia-se Christian Bale) juntos tem tanto sabor quanto o Bowie!


Well, acho que é isso! Não se prenda a um álbum, um filme... até mesmo seus vídeo clipes são graciosas amostras de genialidade. Duvida? Então confira o novo video clip The Next Day com Gary Oldman e Marion Cotillard!

Redundâncias à parte, digo que Bowie é mais do que um cantor, um ator, ou qual palavra tentemos usar para adjetivá-lo. Bowie is Bowie e ponto final.



Texto de Rogério Ferrari

terça-feira, 14 de maio de 2013

Evil Dead - A Morte do Demônio



Antes de se tornar mundialmente conhecido pela primeira trilogia do Homem Aranha, o jovem Sam Raimi teve a ideia de fazer um filme sobre um demônio que perseguia jovens para tentar possuir suas almas em uma cabana, no meio de uma floresta. Com esse argumento em mãos, nascia A Morte do Demônio (1981), título escolhido pela Look Filmes, distribuidora brasileira do filme que foi sucesso em todas as locadoras da época.

Sam Raimi já havia criado uma prévia do clássico em 1978, quando dirigiu o curta metragem Within the Woods e após três décadas do lançamento desde verdadeiro cult, Raimi retorna o universo que criou, mas desta vez como produtor do remake dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, conhecido pelo curta scifi Ataque de Pánico! (2009).
 
Diablo Cody (premiada pelo roteiro de Juno) reescreveu a premissa de jovens sendo perseguidos na floresta por uma entidade, para uma jovem que, com ajuda de amigos e um irmão, tenta se livrar da dependência química em uma cabana de herança familiar. Por não aceitar a renúncia e precisar lidar com as consequências da abstinência, a protagonista apresenta atitudes alucinantes e nada coerentes, no mesmo momento em que um professor universitário liberta o demônio aprisionado em um livro escrito com sangue e feito por tecido humano, o mesmo O Livro dos Mortos do longa original.
 
 
Adaptada para uma realidade atual e mais coesa, esta nova versão é extremamente violenta e agonizante, abandonando o suspense original e o humor característico da década de 1980. Fede Alvarez demonstrou coragem ao manter a nojeira do original, porém indo além e abusando com um gore de dar inveja a qualquer Jogos Mortais. Alvarez também retratou alguns elementos clássicos que agradaram a maioria dos fãs, apesar de muitas cenas não fazerem jus ao clássico, que por sinal foi um divisor de águas. Até por isso me pergunto: era realmente necessário efetuar este remake?
 
 
Raimi e Alvarez já comentam sobre uma possível futura trilogia, ou mesmo sobre a volta do saudoso Ash à sua eterna cabana, algo que certamente animaria antigos fãs como eu, pois confesso que esta repaginada me causou mais mal estar do que a diversão que senti décadas atrás.
 
A propósito, não perca a cena pós-créditos!
 
Texto de Alex Heilborn

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hitchcock


Como contar a história de um gênio em menos de duas horas?
Como homenagear o mestre do suspense de maneira respeitosa e digna?
Simples! Narrando apenas uma parte de sua vida, um evento significativo e neste caso, apenas a história de Alfred Hitchcock em torno da construção de sua grande obra-prima, Psicose.

Baseado no livro Os Bastidores de Psicose do autor Stephen Rebello, Hitchcock é um filme de riquíssima direção de arte (que nos menores detalhes reproduziu a Holywood dos anos cinqüenta), perfeita maquiagem (que realmente trouxe Alfred à vida), linearidade narrativa e sem receio em mostrar o lado perturbado deste diretor, até hoje estudado por qualquer amante de cinema.

Segundo palavras do próprio Sacha Gervasi (diretor do filme), a ideia era ter um ator que não imitasse Hitchcock, mas que interpretasse o mesmo de maneira “Hitchcockiana”. Nunca ter dirigido um longa metragem não foi problema para Sacha, que contou com dois sólidos pilares chamados Helen Mirren (A Rainha) e Anthony Hopkins (o eterno Hannibal Lecter), que por esta atuação merecia ter concorrido ao Oscar de Melhor Ator em 2013.


Eu poderia comentar sobre a bela e encantadora participação de Scarlett Johansson (Os Vingadores) como Janet Leigh, ou então Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine) na função de ponto de conflito entre o casal protagonista, mas a verdade é que Hitchcock é e sempre será sobre Hitch e Alma!

Dotado de grande simplicidade e poderosos momentos cênicos, este é um daqueles filmes que "enche os olhos" de assistir. Momentos como a briga conjugal ao final do segundo ato é, além de forte, uma amostra da genialidade e egocentrismo de Alfred, um homem perturbado com a própria e fantástica mente, além da eterna busca pessoal pela perfeita loira “Hitchcockiana”.


Com uma linda trilha sonora, Danny Elfman me fez lembrar seus tempos de Gênio Indomável (1997), com mais notas de piano e menos orquestrações típicas dos filmes de pesado orçamento. Vale comentar que Hitchcock foi lançado pela Fox Searchlight Pictures, braço da Fox voltado a filmes mais baratos, autorais, distantes do mercado de blockbusters e realizados entre dois ou mais países.

Além do histórico agradecimento à sua esposa no AFI Life Achievement Award de 1979, eu não saberia dizer se a romântica frase do final do filme (sem spoiller) realmente existiu, mas independentemente disso, a forma pouco floreada e direta como ela é dita à Alma, a torna uma belíssima homenagem a esta grande mulher, que sempre esteve atrás deste eterno ícone da sétima arte.


Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Velvet Goldmine - O dia em que Batman dormiu com Obi Wan Kenobi !!!

 
David Bowie, Iggy Pop, Marc Bolan, Lou Reed, Suzi Quatro, Gary Glitter... Se nenhum desses nomes lhe disser algo particularmente íntimo, não leia o que vem a seguir... Fuja do filme em questão, pois ele pode danificar seu cérebro!!!
 
Falar sobre Velvet Goldmine é como contar um pouco da vida que vivi e talvez a vida de muitos de vocês que estão lendo e esperando algo além de uma crítica corriqueira.
 
Obviamente é um filme para poucos, não há como ser um telespectador curioso. Quem é amante do Glam Rock, de toda uma década de abusos, experimentalismos, androginia e liberdade, vai se deliciar com o mostrado tão explicitamente pelo diretor Todd Haynes (do perturbado Não Estou Lá). Em contrapartida, o conhecedor superficial desse estilo (e quanto estilo !!!) não vai entender nenhuma citação, nenhuma ligação, e preferirá assistir algo mais brando e insípido produzido em série por Hollywood. Afinal, mas que raios de roupas são essas???
 
Velvet é escancaradamente baseado na vida colorida, ácida e maquiada de David Bowie, transformado no filme em Brian Slade e interpretado com toda extravagância e umidade necessárias por Jonathan Rhys-Meyers (August Rush, From Paris With Love). Temos ainda Iggy Pop, que virou Curt Wild, magistralmente sem pudores vivido por Ewan McGregor (Moulin Rouge, Star Wars Prequels), Christian Bale (Império do Sol, Trilogia Batman) no papel do repórter assombrado pelo seu passado na revolução sexual e obviamente, a sempre freak/competente Toni Collette (O Casamento de Muriel, Pequena Miss Sunchine) como a esposa de Brian.
 
 
Num enredo muito bem trabalhado, onde cada nuance do mundo artístico é mostrada, a narrativa vai emendando a vida de cada personagem de forma coesa, desde a infância de quem se tornou o artista, até a vida e traumas de quem era o simples fã influenciado a extremos digamos, inevitáveis.
 
Todo destaque é claro, fica por conta da trilha sonora e figurinos, ambos recriados com maestria e detalhes onde mesmo quem não viveu ou não conheceu a fundo os costumes da época, se sente imerso na purpurina, glitter, lipstick traces (got it?) e eyeliners.
 
 
Na pré produção, David Bowie não cedeu os direitos de utilização de suas músicas, alegando que tinha o próprio projeto sobre a cena Glam dos anos 70, planejado para o futuro. Digamos que nosso querido Ziggy Stardust indiretamente nos fez um favor, pois as canções originais compostas para Velvet Goldmine são deliciosamente hipnotizantes. Não posso deixar de citar a trilha instrumental, sutilmente perfeita de Carter Burwell, que dá o toque monolítico da obra.
 
Sim, finalmente para nós, freaks, glams (os originais, não me venha com farofas...) descobrimos que Oscar Wilde, além de extra-terrestre, foi padrinho de toda cena glam européia e tinha um tremendo bom gosto para jóias!
 
Hot one a todos!
 
 
Texto de Rogério Ferrari

sexta-feira, 5 de abril de 2013

This Must be the Place - Aqui é o Meu Lugar


O que ocorre quando um ex-astro, por escolha própria, desaparece dos holofotes da fama para viver em um tedioso ostracismo, mas sem abrir mão do visual e “jeitão de ser” responsáveis pelas glórias do passado?

Esta é basicamente a premissa de This Must be the Place (Aqui é o Meu Lugar), filme de 2011 estrelado por Sean Penn (A Árvore da Vida e Milk – A Voz da Igualdade) e dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino.

Sorrentino (que também escreveu o roteiro) é um grande fã do pop-rock da década de 1980 e com dinheiros em mãos, realizou o sonho de todo fã ao filmar um longa metragem cheio de referências “oitentistas”, a começar pelo nome da produção pego emprestado de uma música da banda Talking Heads. Aqui é o Meu Lugar é carregado de referências a artistas excêntricos e revolucionários como David Byrne (fundador do Heads, que também assina a trilha sonora do filme), Iggy Pop, Mick Jagger, Robert Smith (músico utilizado de espelho para a criação da personagem principal), entre outros.
  

Mas o longa vai muito além de menções a certo período da história musical humana! Com um cinema nada quadrado e Hollywoodiano, Sorrentino apresenta uma história densa e retratada de forma pouco familiar ao espectador acostumado a assistir Sean Penn no formatinho norte americano de cinema.

O protagonista e ex-vocalista da banda Cheyenne and the Fellows, vive num mundo de conto de fadas, entorpecido por uma ociosidade desesperadora. Cheyenne (que apesar de parecer uma tia velha, não tem nada a ver com aquela novela da Rede Globo) possui apenas uma rotina diária: caminhar de maneira esquisita com seu carrinho de compras pelas ruas de Dublin e no shopping mais próximo tomar café e conversar com a adolescente Mary (vivida pela realmente irlandesa Eve Hewson, filha do famosíssimo Bono Vox, U2) que tudo sabe sobre seu passado musical. Quando em casa, Cheyenne se esforça para dar alguma atenção à sua esposa Jane (Frances McDormand de Queime Depois de Ler, Transformers: O Lado Oculto da Lua) e com ela ter um vida quase normal.


A residência do protagonista é uma analogia à Terra do Nunca, pois nela habita um homem beirando os cinqüenta anos de idade, que insiste em pensar e agir como uma criança. Por tal motivo a vida “convida” Cheyenne à uma aventura pouco ortodoxa de descobrimentos e aprendizados, ao melhor estilo road movie. Este chamado ocorre quando “Cheye” é obrigado a retornar ao seu país de origem de navio (sim, pois ele também possui fobia de avião) para visitar seu moribundo pai, um sobrevivente do Holocausto nazista que dedicou uma vida à procura de seu carrasco alemão.

Como tudo na vida de Cheyenne parece ser desordenado e ilógico, ele decide continuar a odisséia de seu desconhecido pai, mesmo sabendo que entre eles não existiu amor, conhecimento e diálogo. A necessidade de motivação e desafio leva o apático artista a cair na estrada e conhecer pessoas relacionadas ao antigo algoz de seu patriarca, que lhe darão dicas sobre o paradeiro deste objeto de perseguição.

A aventura é bem amarrada e executada através dos bons e estranhos diálogos de Sorrentino, além da espetacular interpretação de Penn, que tristemente foi ignorado pelas grandes premiações do cinema (o filme concorreu apenas à Palma de Ouro em Cannes em 2011).


O abuso nos travellings (movimento de câmara que realmente se desloca no espaço, em oposição aos movimentos de panorâmica) para nos aproximar, ou nos afastar de Cheyenne é um interessante recurso utilizado no filme, acentuando ainda mais a sensação de estranheza causada por esta bela obra non-sense.

Arrisco-me a dizer que Aqui é o Meu Lugar não é um filme para todos, mesmo não sendo uma obra complicada e truncada, como muitos filmes europeus. Este é definitivamente um filme para quem aprecia o “lado torto” da arte de gênios como Tim Burton e Danny Elfman. Se você se encaixa neste tipo de expectador, não deixe de incluir Cheyenne em seu repertório pessoal!
   


Um abraço e até a próxima.

Texto de Eligio W. Junior

quarta-feira, 20 de março de 2013

Meu Namorado é um Zumbi - George Romero faz escola para geração Crepusculo!


Apesar do título ridiculamente escolhido pela distribuidora nacional com foco no público adolescente (pensando nos órfãos franquia Crepúsculo), a adaptação do livro Warm Bodies, ou Sanque Quente como é conhecido pelos fãs no Brasil, é uma agradável decepção para seu o “público alvo”.

Digo agradável, pois o roteiro e o elenco muito bem selecionado apresentam uma história ficcional, com raízes nos grandes clássicos do gênero criados pelo mestre supremo de zumbis, o Sr. George Romero. Meu Namorado é um Zumbi encontrou espaço entre os fãs de romances adolescentes vividos por monstros, bem como entre os nerds old school.


Isaac Marion (autor do livro homônimo) e o diretor Jonathan Levine estrearam em Hollywood com um blockbuster competente, carregado de humor e emoção em um “mundo” onde mortos e vivos convivem desde a série de TV com sucesso absoluto The Walking Dead, às adaptações de jogos e remakes como Resident Evil , Eu Sou a Lenda, entre outros.

Hoje zumbis, ou mortos vivos, fazem parte da cultura pop mundial que já aprendeu a regra básica sobre isolar essas criaturas dos realmente vivos e exterminá-las sempre que encontradas, quando um futuro pós-apocalíptico bater à porta. Por tal razão o grande John Malkovich (Quero Ser John Malkovich) vive o general Grigio, líder dos últimos sobreviventes refugiados em uma parte da cidade, com o objetivo de proteger os demais dos seus entes familiares que se transformaram em criaturas sem cérebro, ou coração. Como em todos os roteiros do gênero, esses desumanos se alimentam, obviamente, daqueles que os caçam, independente de quem sejam.


A grande diferença, entretanto, vem do protagonista “R” (Nicholas Hoult, o Fera de X-Men Primeira Classe), que começa o longa narrando aos espectadores sua vida e a vida de seus parceiros dentro de um aeroporto, bem como sua amizade e falta de emoção em relação a seu melhor amigo, sua coleção de velharias nostálgicas, uma vitrola e alguns LPs.

Com uma trajetória contata a cada dia, somos aproximados do pobre zumbi e seu suposto amor pela filha do general, Julie (Teresa Palmer, O Aprendiz de Feiticeiro), nos fazendo acreditar que um morto vivo ainda pode amar e voltar a ser humano.

Apesar de interpretarem adolescentes ou quase adultos, o romance não incomoda e nos remete mais à relação de carinho entre Wall E e Eve (da excelente animação Wall-E de 2008), que aos protagonistas da péssima saga vampiresca teen.

Para coroar, foi uma ótima surpresa ouvir Bob Dylan e Guns n' Roses em um filme voltado à geração Apple, inclusive, motivo de uma das piadas do longa. Eis mais um incentivo ao público para assistir esta agradável fantasia, sem medos e receios.


Até a próxima!

Texto de Alex Heilborn

sexta-feira, 15 de março de 2013

Argo, fuck yourself!


Junte um plot desinteressante, um elenco morno (calma Alan Arkin está ótimo), um diretor “iniciante” e obviamente já desistimos de ver o filme, certo? Yep, quase.

Assisti Argo com três pezinhos atrás, e no final, tive que confessar a mim mesmo, baixinho, é claro, que foi para eu não ouvir, que é um ótimo filme médio.

Com um roteiro adaptado do livro de Tony Mendez (Ben Affleck no dito cujo filme), Argo conta a velha nova história do exacerbado heroísmo norte americano contra a vilania dos barbudos do Irã. Haja bandeira tremulando e situações forçadas.

História real, controversa, afinal os Iranianos teimam que não foi bem assim que ocorreu, Argo narra o cinematográfico (mesmo!) plano dos Governos Americano e Canadense para resgatar 6 diplomatas que escaparam da famosa invasão à Embaixada Norte Americana no Irã.

O grande mérito do quase canastra e agora multi premiado Ben Affleck foi transformar um tema não interessante para a maioria em um filme leve, que prende o telespectador e por oras divertido. Sim, existem piadas, alívios cômicos inesperados, o que compensa os tropeços de timing.

Se o filme começa numa grande interrogação sobre o que esperar, o pensamento de “que raios eu estou fazendo aqui” se dissipa logo, graças à sempre pontual atuação do mestre John Goodman, cada vez mais solto e divertido. Aliás esse ano, com Argo e O Vôo, Goodman se destacou como o coadjuvante perfeito, seja qual for a trama.


Voltando à Argo, tudo vai bem até a metade da película, onde o atropelamento na narrativa perde um pouco do foco e clima criado. A direção é extremamente correta, sem exageros ou riscos corridos, a fotografia ajuda, e coitado do editor, que deve ter sofrido para montar os dois dias cruciais da estadia de Tony Mendez no Irã. Tudo é muito “fast forward” pro meu gosto, e com uma trilha sonora tediosa e sem sal do não sei por que sempre contratado Alexandre Desplat, quase o filme vai pro espaço. Sem a espaçonave, claro. Tudo para guardar minutos para o grand finale, completamente Hollywoodiano, (sem spoilers por aqui!!) com uma até convincente sequência de perseguição.

Talvez a Academia tendo ignorado Affleck na indicação de melhor diretor foi o que o filme, médio, precisava para ganhar destaque e todos os outros prêmios similares de direção. Mas tiro meu chapéu para as caracterizações e detalhamento minuncioso, uma direção de arte muito bem trabalhada.

Resumo da ópera: dêem uma chance a Argo, que mesmo não sendo memorável e marcante, vai garantir boa diversão. E com um final prá lá de nostálgico para os nerds. Com certeza, assim como eu, ficarão dizendo “Argo, fuck yourself” por um bom tempo!


Texto de Rogério Ferrari.

quinta-feira, 7 de março de 2013

RED – Aposentados e Perigosos


Assim que o filme terminou, a primeira coisa na qual eu pensei foi: “como é que eu deixei de ver isso no cinema???”

Por várias vezes estive na locadora de vídeo com o blu-ray de RED – Aposentados e Perigosos nas mãos, porém sem coragem de arriscar, pagar e alugar. Talvez porque eu imaginava que este seria outra história mediana, bem ao estilo de Os Mercenários de Silvester Stallone (ou simplesmente Sly para os amigos), onde um elenco de peso se junta para fazer um filme de ação tão forçado e de roteiro tão fraquinho, que acaba se tornando um Cult pelo simples fato daquele time realmente acreditar que fizera algo sério, digno de uma indicação diferente do Prêmio Framboesa de Ouro.

Não me entenda mal, pois eu me diverti horrores assistindo aos dois projetos de Stallone, mas como eu disse, os filmes passam de ação para comédia através da quantidade de explosões, mutilações, brigas desproporcionais e sangria bem gore, que inibe qualquer espectador de levá-los a sério.

Mas voltando à RED, tive uma grata surpresa ao assistir um filme inteligente, onde a ação nasce de motivação lógica e onde os momentos de alívios cômicos ocorrem não a partir de corpos explodindo de maneira caricata (o que também é legal quando bem feito), mas através dos ótimos diálogos e excelentes atuações das lendas Morgan Freeman (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), Bruce Willis (dos vários Duro de Matar), John Malkovich (Meu Namorado é um Zumbi) e Helen Mirren (A Rainha). Isso sem mencionar o luxuoso elenco coadjuvante formado por Mary-Louise Parker (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde James Ford), Karl Urban (Star Trek), Brian Cox (A Supremacia Bourne), Ernest Borgnine (Meu Ódio Será Sua Herança) e Richard Dreyfuss (do belíssimo Always - Além da Eternidade).


Dirigido pelo praticamente novato Robert Schwentke (Plano de Vôo) e baseado no gibi criado pelo britânico Warren Ellis (publicado pela DC Comics), RED é garantia certa de diversão que não fere a intelectualidade do espectador, ao mesmo tempo em que se permite usar de algumas liberdades criativas, como explodir o projétil de uma bazuca com o projétil de um revólver, ou colocar um personagem tranquilamente assoviando em meio a um tiroteio de dar medo a qualquer “Capitão Nascimento”.


Foi realmente uma alegria dupla, pois além de assistir ao filme na semana em que a NET abriu os canais Telecine de graça, pude dar boas risadas e terminar ansioso pela continuação prevista para estrear em Agosto. Portanto, se você também demorou a curtir esse verdadeiro deleite, não pense mais e aproveite essas quase duas horas de um muito caricato Malkovich, que por si já vale o longa.


Um abraço e até a próxima conversa!


Texto de Eligio W. Junior

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

DJANGO LIVRE: Quentin Tarantino em plena forma


Você tem suas preferências. Eu tenho as minhas. Quentin Tarantino também. A diferença entre eu e você, pobres mortais, e Tarantino, um gênio da Sétima Arte, é que sua competência e seu currículo permitem que ele mostre suas preferências (no caso, cinematográficas) para o mundo todo através de sua obra. Assim foi com os filmes de artes marciais orientais (Kill Bill, 2003 e 2004), com os filmes de guerra (Bastardos Inglórios, 2009) e, forçando um pouco a mão, com o blaxpoitation (Jackie Brown, 1997). Pois agora é a vez de o western spaghetti ser explorado pelo diretor no definitivo Django Livre.

Aliás, vamos começar pelo título. Django Livre não tem nem de longe a força do título original, que não é Django Free, mas Django Unchained, cuja tradução seria Django Desacorrentado - pode não ser um nome comercialmente viável, mas é inegável que há uma diferença abissal entre ele e o que acabou vingando por aqui. "Detalhe do redator chato" à parte, a história, em linhas gerais, gira em torno de um caçador de recompensas que vai atrás de um escravo que tem a pista de uns criminosos que procura. As aventuras tornam os dois parceiros e ambos acabam se envolvendo numa empreitada quixotesca ao tentar resgatar a esposa desse escravo, também escravizada por um fazendeiro tirano - e mais não falo para não tirar a graça para aqueles que ainda não viram o filme...


A primeira hora do filme (duração total: 2h45) é feita para o genial Christoph Waltz brilhar. Se ele já centralizara as atenções como o implacável mas divertido coronel Hans Lanza em Bastardos Inglórios, agora ele simplesmente brilha nesses 60 minutos iniciais de Django Livre interpretando o falso dentista dr. King Schultz. Ajudam em muito os diálogos geniais forjados por Tarantino, que se tornam saborosíssimos quando interpretados pelo ator austríaco. Jamie Foxx também consegue uma atuação corretíssima como o escravo em busca de vingança Django. As cenas de perseguição, negociação e "abate" dos criminosos procurados têm peso bárbaro pela carnificina que impera nas cenas em que ele encontra sua caça - lembre-se que os cartazes de "procurados" do Velho Oeste vinham com a observação "vivo ou morto" e Schultz achava a segunda opção bem mais prática que a primeira... O filme vai dar uma desacelerada logo após a primeira metade, como acontece com quase todas as obras de Tarantino, mas é tudo uma simples preparação para o que vem na parte final.


Que o diretor é famoso por pegar atores medianos e arrancar todo seu potencial é algo que todo mundo sabe. Isso aconteceu com John Travolta em Pulp Ficition, de 1994 (apesar de, pessoalmente, achar que Travolta sempre foi um ator bom mas injustiçado - e que fez péssimas escolhas de filmes para atuar), com Brad Pitt em Bastardos Inglórios e agora com Leonardo DiCaprio. Porém, não acreditem no que diz a crítica: apesar de DiCaprio interpretar (muito bem) o tirano fazendeiro Calvin J. Candie e, por isso, ser considerado o personagem mais maléfico da história, não é ele o grande vilão. Observem o quase irreconhecível Samuel L. Jackson interpretando de forma magistral o escravo Stephen e digam se não estou certo...


Neste ponto, cabe um adendo - e prepare-se que lá vem mais uma "chatice do redator"... Alguns reclamaram que a palavra nigger é usada no filme de forma excessiva. Acontece que naqueles tempos (o filme se passa em 1858) essa era uma palavra, apesar de pejorativa, tremendamente comum para se referir aos negros. Assim, o máximo que Tarantino poderia fazer era ser politicamente correto e substituir esse termo por outro, digamos, menos ofensivo. Agora, raciocinemos juntos: dá pra imaginar as palavras "politicamente correto" e "Quentin Tarantino" na mesma frase? Pois é... Entre um diálogo e outro, Django Livre, repito, é uma carnificina de respeito. Tarantino não se constrange em filmar pedaços de carne voando quando alguém é atingido por um tiro, nem corpos sendo lançados a metros de distância no momento em que são alvejados - eu sei, você sabe, Tarantino sabe e os caras do Mythbusters já provaram que isso não acontece em hipótese alguma, mas quem se importa? O diretor, como de hábito, faz sua ponta no filme (tradição herdada do mestre dos mestres Alfred Hitchcock) e no caso em questão tem uma morte simplesmente hilariante.

O final, apoteótico, sangrento e repleto de ódio, é exatamente aquele que se espera do diretor, que conseguiu acertar a mão em todo o desenrolar do filme, como já se tornou rotina - além de sacar da cartola uma trilha sonora brilhante, que transita com uma baita desenvoltura de Ennio Morricone a James Brown, com direito a um Johnny Cash de sobremesa.

Agora, fica a dúvida... Qual será a próxima homenagem de Quentin Tarantino? Será que ele curte ficção científica? Já pensou??



Texto de Tony Monteiro

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Rock Of Ages - quando a geração do Rock Farofa se encontra com o Pop Rock de Glee


Para aqueles que viveram os lendários anos 80 e início dos 90, foi impossível não adorar, ou rir de um estilo musical que fez muito sucesso e até hoje ainda atrai gerações de diversas idades aos estádios, para assistir bandas mainstream como Bon Jovi, Kiss, Aerosmith, ou bandas que caíram no ostracismo como Skid Row, Winger e Whitesnake.

Conhecido no Brasil como Rock Farofa, o Hard Rock da década de 1980 chegou mais uma vez ao cinema, com um elenco encabeçado por Tom Cruise (Missão Impossível – Protocolo Fantasma), Alec Baldwin (30 Rock), Catherine Zeta Jones (Sem Reservas), Paul Giamatti (O Ilusionista) entre outros nomes conhecidos.

Baseado no famoso musical da Broadway, Rock of Ages (que também é um musical) possui um roteiro raso e divertido como qualquer episódio de Glee. Apesar de voltado para adolescentes que se sentem perdidos e rejeitados, o filme só não é de todo descartável graças à surpreendente atuação de Tom Cruise, que já houvera surpreendido em Trovão Tropical, do mesmo roteirista Justin Theroux. Seu Stacey Jaxx é uma sátira direta ao líder do Guns n' Roses, Axl Rose, que como tal é um músico megalomaníaco e perturbado por traumas do passado. Ele se veste e age com toda arrogância e distúrbios de seu homenageado (algo não confirmado oficialmente pela produção), com apenas um diferencial que Axl nunca teve: um macaco de estimação chamado Hey Man.


Logo na abertura conhecemos a garota “caipira” Sherrie (Julianne Hough, do remake Footloose), chegando à cidade de Los Angeles e conhecendo um rapaz que sonha em se tornar uma estrela do rock. Drew (Diego Boneta, novato em Hollywood) trabalha no clube Bourbon, local onde brilhou pela primeira vez o astro Stacey Jaxx. Neste contexto também se encontra uma linda repórter da Rolling Stones (Malin Akerman de Watchmen), que tenta não se passar por mais uma groupie qualquer, para fazer o rockstar enxergar quem ele é por baixo de toda luxúria e glamour.


Paralelamente a moral e os bons costumes são pregados pela ativista e esposa do prefeito da cidade, Sra. Patricia Whitmore (Catherine Zeta-Jones) que, junto de suas seguidoras, está disposta a fechar um pecaminoso clube local pertencente a Dennis Dupree (Alec Baldwin), responsável pelo surgimento da cena musical da época. Dupree e seu fiel escudeiro Lonny (Russell Brand, mais conhecido como roqueiro e humorista inglês), lutam para manter seu bar aberto contando com ajuda de ninguém mais, ninguém menos que Stacey.

A participação cômica de Baldwin e Brand, não supera a de Cruise e a parte do elenco escalada para interpretar os clássicos do Rock Farofa deixa muito a desejar. Neste quesito Tom surpreende uma vez mais e juntamente de Malin Akerman e da cantora Mary J Blige impressiona com versões de Whitesnake, Bon Jovi, Def Leppard (banda responsável pelo título do filme) Journey e claro, Guns n' Roses.


As músicas Paradise City, Pour Some Sugar On Me e Wanted Dead Or Alive, recompensam o árduo trabalho do ator (que durante alguns meses teve aulas de canto com o coach de Axl, além de dicas do cantor Jon Bon Jovi) e provam que Cruise é verdadeiramente dedicado ao seu trabalho, não importando se o filme é dramático como Nascido em 4 de Julho, ou debochado como Trovão Tropical.

Em uma definição mais plena, Rock of Ages é uma grande homenagem aos fãs do Hard Rock, que certamente encontrarão diversão nas piadas internas e compreenderão todas as alusões realizadas durante o longa.


Texto de Alex Heilborn