sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada


Escrever sobre O Hobbit - Uma Jornada Inesperada sem deixar os sentimentos e emoção de um fã tomar conta deste texto é algo extremamente difícil e doloroso. Isso sem mencionar que uma tola tentativa possivelmente geraria um produto final apático e destemperado.

Por tais motivos resolvi redigir esta conversa simplesmente como um fã, como um ser que mantém Tolkien na prateleira mais alta de seu repertório literário, que viajou até outro lado do mundo para conhecer a Terra Média – por muitos chamada de Nova Zelândia, ou Aotearoa para os nativos maoris - e que se emocionou ao assistir o excelente trabalho de Peter Jackson e sua trupe, em mais uma jornada a um universo tão querido e amado.

Logo nos primeiros minutos de projeção compreendi a visão revolucionária de Peter quando decidiu por filmar em 48 quadros por segundo, causando curiosidade e apreensão na imprensa e espectadores. Para quem que se perguntou “quarenta e oito o que?”, faço aqui uma breve explicação: a resolução tradicional de um filme é de 24 quadros por segundo, ou seja, 24 imagens projetadas por segundo que fornecem a noção de movimento. Portanto, a inovação de Jackson faz com que a resolução de O Hobbit seja o dobro de uma resolução comum, algo até então desconhecido aos amantes da sétimas arte.

Considerações técnicas à parte, os 48 quadros realmente proporcionam um imagem tão perfeita e viva, que dá a impressão de estarmos assistindo a um blu-ray em uma tela gigante de altíssima definição. O receio que a imprensa possuía sobre o filme ter realmente cara de cinema, ou aparência de Discovery HD Theather se dissipa passados menos de cinco minutos dos créditos iniciais, pois Jackson demonstra que além de não ter “perdido a mão” após O Senhor dos Anéis, também aprendeu a fazer um filme 3D estereoscópico – filmado com câmeras verdadeiramente 3D, sem conversões posteriores - da melhor qualidade, onde poucos são os elementos que “saem” da tela em direção aos olhos impressionáveis e muitos são os planos trabalhados de forma a proporcionar sensação de profundidade ao expectador, como as sequências iniciais dentro da casa de Bilbo.

A escolha do casting foi certeira e Martin Freeman (da série Sherlock) entrega um Bilbo engraçado, leal e valente que os fãs conhecem dos livros. Mesmo criando a personagem à sua maneira, Freeman em alguns momentos se faz remeter a Ian Holm (o Bilbo anterior de O Senhor dos Anéis) agradando também ao público da primeira trilogia.

Andy Serkis - que desta vez trabalhou como assistente de direção - nos presenteou com mais uma atuação intensa e seu Gollum já deixa saudades!

Ian McKellen conseguiu trazer ao set um Gandalf mais renovado e ainda melhor. Como ele faz isso?


Para não deixar o texto ainda mais longo, ao invés de citar todos 13 anões darei foco somente ao Rei Thorin Escudo de Carvalho, belamente vivido por Richard Armitage (Capitão América, O Primeiro Vingador). Quem já leu o livro me compreenderá quando digo que Armitage conseguiu de maneira muito tranquila dar vida ao Thorin sábio, sem meias palavras, guerreiro e focado em um antigo sonho: destruir o dragão Smaug, recuperar todo o ouro por ele roubado e fazer ressurgir a imponente cidade de Erebor. O Thorin do cinema é bastante fiel à imagem que eu imaginava do Thorin de Tolkien e neste ponto Peter Jackson merece mais uma vez aplausos, pois conseguiu extrair ótimas atuações de todos os 13 anões, algo bastante difícil até mesmo para os diretores mais renomados da atualidade. Apesar de tempos de exibição diferentes entre cada personagem, sempre que vemos um dos 13 na tela nos divertimos e neles acreditamos.

As locações, a fotografia, os figurinos, os efeitos digitais e a trilha dispensam comentários, pela perfeição já esperada daqueles acostumados com os feitos da primeira trilogia. Ainda sim, vale ressaltar como o avanço tecnológico da computação gráfica continua forte e primoroso! Assim como em Avatar, não é possível distinguir em O Hobbit, qual personagem é digital e qual é real, coberto de maquiagem e próteses.

Por fim, as intersecções entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis escritas por Jackson, sua esposa Fran Walsh e Philippa Boyes são um deleite para muitos e obviamente uma ofensa para os mais puritanos.

Mas o filme possui falhas?
Assim como a grande maioria, O Hobbit também é falho e além das alterações na história original já citadas, o timming não é tão perfeito. Particularmente não tive problemas com isso, mas ouvi algumas pessoas dizendo que sentiram sono em determinados momentos, algo comum desde A Sociedade do Anel. Entretanto, esses pormenores em nada desmerecem aquele que possivelmente foi o melhor filme de 2012.

Para os que já assistiram façam como eu e assistam novamente! Para os ainda curiosos, não deixem de aproveitar das quase três horas de uma fantástica e inesperada jornada =)


Um forte abraço e um ótimo 2013!

Texto de Eligio W. Junior