terça-feira, 12 de junho de 2012

New York, New York


A mais populosa cidade norte-americana fundada em 1624 e dividida em cinco setores – Bronx, Brooklyn, Manhattan, Queens e Staten Island – exerce grande fascínio não só aos turistas mundo afora, como também ao cinema mundial.

Desde o início da Indústria de Cinema Hollywoodiana foram muitos os filmes realizados na cidade e sobre a cidade. Filmes inclusive criados por grandes gênios naturais da Big Apple, como Martin Scorsese, Woody Allen, J. J. Abrams, Mel Brooks, Stanley Kubrick e Oliver Stone, que declararam sua paixão pela cidade do Central Park; pela cidade da liberdade e justiça, multicultural e multicolorida; pela cidade “atacada” por King Kong e, tristemente, por Bin Laden.
Apesar do alto custo de se filmar por lá – despesas amenizadas com os recentes incentivos do prefeito Michael Bloomberg, como isenção de taxas para filmar em locais públicos – ainda hoje é possível assistir a novas produções, que exploram a inesgotável fonte de inspiração existente em Nova Iorque, lugar onde as relações humanas parecem, ao menos na sétima arte, ocorrer com maior intensidade.
Escolhemos dois filmes estilo "colcha de retalhos" para ilustrar este post de homenagem. Tais longas são formados por vários curtas-metragem que interligados, ou não, navegam sob um mesmo tema.
O primeiro deles é Nova York, Eu te Amo de 2009. Um elenco de peso, diretores competentes e belos textos sustentam uma grande declaração de amor a esta poética cidade. A intenção ali é falar sobre o amor, sem amarras a uma única verdade, ou situação.


Através das curtas histórias vemos o amor pela cidade como na narrativa do casal que se “conhece” na porta de um restaurante, felizes por estarem no lugar onde é possível fumar do lado de fora de um estabelecimento e conversar com um perfeito estranho. Vemos também o amor através das décadas no engraçado curta estrelado por Eli Wallach (o Don Altobello de O Poderoso Chefão) e Cloris Leachman (Espanglês), além da busca pelo grande amor no curta onde um escritor tenta seduzir a prostituta. Podemos ainda mencionar o amor platônico do pintor que não se acha merecedor do amor de sua musa inspiradora, o amor por estudar a vida humana e seus desembaraços - que é o caso da "cineasta" que acompanha algumas histórias no longa – e por fim, o amor pela paixão louca e irracional do casal vivido por Bradley Cooper (Se Beber Não Case) e Drea de Matteo (Desperate Housewives).



A propósito, este último merece muitas palmas, pois toda jornada do casal é fundamentada em solilóquios. Não existe sequer uma fala entre as duas personagens e o espectador acompanha a viagem dentro da mente de cada protagonista, através de uma fotografia de tons sombrios, imagens que apresentam ruídos, além de uma trilha pesada e depressiva, formando assim o curta mais criativo do filme.


O segundo filme elencado é Noite de Ano Novo (2011) de Gary Marshall, mesmo diretor de Uma Linda Mulher. Marshall, que já tinha apostado em algo parecido usando Los Angeles de fundo (Idas e Vindas do Amor, 2010), traz nesta nova obra uma história mais festiva, cheia de cores, mais comercial e clichê, no melhor estilo "everything is gonna be alright".


Como o próprio título sugere, a narrativa gira em torno do dia 31 de dezembro de várias personagens, navegando por histórias que não são bem aquilo que parecem ser. O plot é a festa da virada e a descida da Bola na Times Square. Lá encontramos o cara que odeia o Ano Novo, a dona de buffet que vai servir na festa mais badalada (e a equipe deslumbrada), alguém que precisa chegar a tempo na cidade e não existe como (tudo está lotado), a menina que quer ir à festa e a mãe não deixa, o velho que à beira da morte e só deseja assistir a descida da bola, o casal que vai ter seu filho e a mulher que vai ter que trabalhar no dia 31, mesmo já tendo avisado que sairia de férias.
É interessante ver como o elenco de apoio - a mãe, a vizinha, a enfermeira, o entregador, o cantor, entre outros - acaba tomando seu lugar na história de forma muito bem articulada e surpreendente. As histórias realmente se entrelaçam e saem do lugar comum. As personagens apresentam seus problemas, escancaram os sentimentos humanos que tentamos esconder e se redimem, porque afinal é noite de reveillon e só existe espaço para aquilo que é bom (pelo menos em tese).
 
O discurso que Hilary Swank usa para explicar porque a bola está parada na metade (o que seria uma falha causada por um curto-circuito) é uma grande sacada do texto que nos coloca a rever tudo que fizemos até ali e resolvermos o que precisa ser resolvido: perdoar, amar, renovar as esperança, etc. O bacana é que cada um desses sentimentos cabe em uma história. Para a personagem dela própria: perdão ao pai; para a enfermeira cujo marido está na guerra: esperança do reencontro; para a ex-funcionária tímida que quer por sua lista de desejos em prática: fé; para o casal que disputava o prêmio pago ao primeiro bebê nascido no novo ano: compaixão; e claro amor em várias formas e idades.

 Tudo com sabor de festa, de fogos de artifícios, boa música e companhia. Mesmo em cenas mais densas como na morte de uma das personagens, o filme tem uma boa resposta como a celebração à vida (cena em que Hilary Swank vai ao berçário conhecer os bebês que nasceram na virada do ano).  E é isso que se espera de NY, certo?


Com isso terminamos nossa singela homenagem a essa secular e encantadora cidade, ao som do velho e bom Sinatra =)

Um abraço e até a próxima.

 
Texto de Eligio W. Junior e Cassiana Fabbrini.