sexta-feira, 23 de março de 2012

O Ano que Hollywood Emudeceu - O Artista


Desde minha primeira postagem desejo homenagear meu grande amigo e artista Luiz Nunes. Pensei várias maneiras de contar a sua história (que por sinal daria um belo drama no melhor estilo Clint Eastwood), até que os Deuses do Cinema enviaram um sinal: não existe melhor maneira de falar sobre um artista, do que comentar “O Artista” juntamente com ele!

Eis a razão pela qual você, leitor, lê uma análise feita a dois (e respaldada pelo grande ator Nunes).

Alguns discordarão de nossa opinião, outros dirão que não há nada de novo neste filme, uma vez que até Mel Brooks e Tim Burton já se arriscaram no cinema P&B (quem se lembra de “O Jovem Frankenstein” e “Ed Wood”?), mas a verdade é que “O Artista” é sim uma boa e bela obra de arte.

Boa por todo o cuidado em reproduzir os detalhes da Hollywood nos primórdios da década de 1930, como as placas publicitárias da Coca-Cola dentro de restaurantes, ou os vários automóveis de época que circulam filme afora, além de referências ao passado da maior Indústria de cinema mundial, a Hollywoodland (esse era o nome da primeira placa erguida em 1923).

Bela pela sábia maneira de trabalhar a metalinguagem dentro do longa, como no momento onde o protagonista se nega a aceitar uma nova realidade, o áudio, e após isso se encontra envolto por cenas magistrais em que se descobre mudo. Cenas em que nós, platéia, ouvimos os latidos do cachorro, ruídos que soam como trovões ao pé do ouvido daquele artista acostumado à glória, que agora se vê em franco declínio.
A propósito, “O Artista” é um bom filme justamente pelo modo como ele se constrói sob uma grande teia de referências. Vemos pontos sutis como as transições entre cenas ao estilo câmera abrindo e fechando em elipse, trilha sonorosa fundamentada em piano (que por sinal é linda) e atuações de gestos exagerados, base do cinema mudo.Os primeiros minutos da obra não negam que Michel Hazanavicius resolveu homenagear toda uma geração da sétima arte, entretanto a maneira como ele constrói seu protagonista é formidável e válida de comentário à parte.

A personagem George Valentin é uma clara e direta homenagem ao ator Rodolfo Valentino, símbolo sexual da década de 1920, morto aos 31 anos. Ao mesmo tempo é notável a homenagem ao grande gênio Charles Chaplin, que assim como George, não aceitava o novo cinema falado. Chaplin costumava dizer que uma ação é geralmente mais entendida do que palavras e por isso só foi se render ao cinema falado treze anos depois de sua origem, com o filme “O Grande Ditador” de 1940. E por fim, a cereja do bolo reside na homenagem ao grande Fred Astaire, que segundo reza a lenda hollywoodiana, ganhou a seguinte anotação na sua primeira folha de teste na RKO Radio Pictures: “Não sabe atuar... Um pouco calvo... Sabe Dançar”.

Para Nunes, “encantamento” é a melhor definição para seu sentimento após viajar através das sequências esmeradamente amarradas pelo diretor. Esse encantamento não é justificado pela roupagem retrô do filme, mas por imaginar que o diretor possivelmente realizou uma viagem de volta ao passado, para redescobrir a sua própria vontade em fazer cinema e a partir disso escrever um brilhante roteiro. O resultado não poderia ser diferente desta fábula romanticamente contada, com direito ao príncipe encantado, princesa e até uma mascote extraordinariamente introduzida na trama através do cãozinho (quem não ficou com vontade de adotar aquele incrível animal?).

Uma interessante discussão surgiu na redação sobre a pergunta se “O Artista” realmente deveria ter ganhado o Oscar de melhor filme. Interessante, porque Eligio acredita apesar de ótimo filme, o merecedor do ano deveria ter sido “A Invenção de Hugo Cabret” pelo conjunto da obra. Nossa revisora Cassiana compartilha da mesma opinião e acredita que “Hugo” não levou, pois foi um filme feito por americanos homenageando o cinema francês, enquanto que “O Artista” é um filme francês que homenageia o cinema americano. Premiar um filme estrangeiro azarão na categoria principal e ainda fortalecer as bases de sua própria história era um apelo muito mais forte do que enaltecer o ex-concorrente (primeiro estúdio europeu e o título de “pai dos efeitos especiais”). Para Cassiana Hollywood se negou a homenagear George Méliès com um Oscar, ainda que fosse através de uma história fantasiosa.

Já o querido Luiz Nunes, talvez por se ver na pele do próprio idealizador da obra, mui generosamente não concordou e pensa que sim, o “careca dourado” foi para as mãos certas, pela ousadia em despejar tantos milhões de dólares para criar o cinema como ele nasceu: somente às custas da arte de representar e dirigir, ao invés de impressionar pelos grandes efeitos e interpretações focadas no realismo exacerbado e digital.

Teorias à parte, ganhar ou não o Oscar em nada desmerece a obra de Michel Hazanavicius que deve ser prestigiada, pois não é todo dia que Hollywood produz algo simples e realmente bom.


Um abraço e até a próxima.

Por Eligio W. Junior e Luiz Nunes.
Revisão de Cassiana Fabbrini.

domingo, 18 de março de 2012

Quando um Cantor Vira Ator (Parte I) - Jon Bon Jovi


De tempos em tempos os músicos se aventuram na sétima arte.
Alguns conseguem inesperadamente entregar bons trabalhos como é o caso do Rei do Rock Elvis Presley e David Bowie, enquanto outros permanecem no limiar entre bom e o ruim, o respeitável e o piegas.

Filho de Carol Sharkey, uma das primeiras coelhinhas da revista Playboy, John Francis Bongiovi Jr é, além de músico, dono de uma das mais lucrativas (e porque não boas) bandas de rock n’ roll da história norte americana. Como se isso não fosse o bastante, ele ainda é dono de um time de futebol americano (o Philadelphia Soul), ativista político e quando sobra tempo, tenta ser ator.

Em 1990 Jon Bon Jovi (nome artístico adotado) realiza seu debute com uma breve aparição em "Jovem Demais para Morrer", que rendeu ao ator sua primeira e, até aqui, única indicação ao Oscar. Antes que o leitor se assuste, a indicação foi para Melhor Canção Original, com a música "Blaze of Glory", faixa-título do filme.

Dois anos depois e, após as gravações do álbum "Keep the Faith", Jon se arrisca uma vez mais ao contracenar com a então top model Cindy Crawford, no vídeo clipe da música "Please Come Home for Christmas". Sua atuação se resume em praticamente passar o clipe todo beijando e apalpando a diva, realizando assim seu grande sonho (pelo menos é o que se ventila nos anais do rock). Mas, foi apenas em 1995 após o término da turnê de "These Days", que Jon realiza sua verdadeira estréia como ator no longa "O Jogo da Verdade". Seu papel é de um pintor que "resolve pintar" não só a casa, mas também a recém viúva (dona da casa). O papel é canastrão e pouco exigiu do cantor, até então famoso por arrancar suspiros das fãs mundo afora.

Já em 1996 Bon Jovi se arrisca como protagonista da produção britânica "O Sedutor", contracenando com renomados atores como Anna Galiena, Thandie Newton e Lambert Wilson. Apesar de caricato e em alguns momentos exageradamente garanhão, Jon fornece uma atuação até convincente. Entretanto, o filme não foi bem aceito mesmo com a tentativa do ator em excursionar pelos países onde era mais popular, na esperança de evitar um fracasso.

Alguns anos se passaram e outros filmes muito ruins foram produzidos com a participação do músico. Entre os anos de 1999 a 2002, Jon se arriscou em seriados televisivos como "Sex and the City" e "Ally McBeal", conseguindo prover breves aparições cômicas como o episódio onde sua personagem Seth conhece a famosa Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) na sala de espera de um consultório de psicologia e após algum tempo consegue levar sua "nova amiga" para a cama. O cômico desta cena final reside no momento onde Carrie pergunta o motivo que levou Seth a buscar um psicólogo, uma vez que ele parecia ser um cara bastante normal. A hilária resposta foi "É que eu sempre perco o interesse pela mulher depois que a levo para cama pela primeira vez".

Até aqui as atuações de Jon Bon Jovi não fugiam do seu papel na vida real, o de mulherengo rocker da década de 1980. Foi então que em 2000 o ator é contratado para outras duas "pontas" no bom "U-571 - A Batalha do Atlântico" com o galã Matthew McConaughey e no interessante "A Corrente do Bem" com Haley Joel Osment (o eterno garoto "I see dead people" de "O Sexto Sentido"), Helen Hunt e Kevin Spacey.

Mas quando seus fãs acreditavam que finalmente John Francis Bongiovi vingaria como um ator de papéis respeitáveis, surge a maior bomba de sua carreira: "Vampiros – Os Mortos" de 2002. Lançado direto para vídeo, não conseguimos entender a razão que o levou a interpretar um caçador de vampiros surfista, que a mando de uma Ordem sai México afora para exterminar chupadores de sangue. A sinopse do filme em si é merecedora de um troféu Framboesa. Já em 2005 surge a cereja do bolo com o terrir (modalidade de filmes de terror cujo absurdo e exagero nas cenas são marcas registradas ) "Cry Wolf – O Jogo da Mentira", onde o ator tenta convencer como um professor de faculdade.

É difícil dizer se Jon Bon Jovi é, ou não, um péssimo ator, pois até hoje foram poucos os papéis escolhidos com sensatez (filmes com bons roteiros). As fracas e caricatas aparições foram amparadas por filmes também fracos e, somente em duas ocasiões o músico atuou sobriamente, porém nestas ocasiões o seu tempo de participação na obra foi pequeno.

O resumo da ópera é que por enquanto, como ator, Jon Bon Jovi tem-se saído um ótimo e premiado músico. Acreditamos que até exista um potencial a ser lapidado no artista, mas para isso seriam necessários muitos anos de estudo e prática dramatúrgica, o que nos leva a realizar a seguinte pergunta: após tanto sucesso musical e milhões na conta bancária, qual é a real necessidade desse homem em ser famoso também em Hollywood?


Um abraço e até a próxima =)

Por Eligio W. Junior e Alexandre Heilborn.
Revisão de Cassiana Fabbrini.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Dama de Ferro - Equilíbrio para uma Mente Desequilibrada


Os primeiros minutos de projeção de “A Dama de Ferro” logo avisam do que a obra se trata: um filme que exige reflexão para ser compreendido!


Digo compreensão não apenas para acompanhar a mente desequilibrada de uma Margaret Thatcher já em idade avançada e cercada por “demônios” do passado, mas também para conseguir absorver a difícil escolha de edição truncada realizada pela diretora Phyllida Lloyd e pela editora Justine Wright.



The Iron Lady (título original) apresenta a ex-primeira ministra britânica desde o começo da sua fase adulta, aos últimos anos de recolhimento domiciliar por consequência da frágil saúde física e mental, daquela que recentemente foi eleita como a mais competente no cargo de “Primeiro Ministro” da Inglaterra nos últimos trinta anos pela Ipsos MORI (segunda maior organização de pesquisas do Reino Unido).


Não sei até onde o roteiro de Abi Morgan aborda, de verdade, a batalha mental de Thatcher em vencer a constante presença de seu falecido marido, mas, o fato é que a sobreposição das cenas da personagem nos áureos tempos como Dama de Ferro com cenas em dias de aparente demência me incomodaram um pouco.


Não que eu prefira uma edição linear com começo-meio-fim, mas a utilização de recursos narrativos ao estilo Lost (onde se apresenta o presente, seguido de flashbacks do passado, voltando para o presente, regressando para um passado menos distante, para depois visitar um passado mais longínquo e assim por diante) tendem a causar uma natural confusão e eu não fui o único a perceber isso.


Mas isso é de todo ruim?
Acredito que em alguns momentos a narrativa foi um pouco prejudicada, porém em outros ela foi beneficiada como a cena onde através de uma alternância de cortes, a baronesa dança com seu marido ao longo de três períodos distintos de sua vida.


Boa parte do filme gira em torno da atual Thatcher incomodada por depender de ajuda para cuidar da sua própria vida, ao mesmo tempo em que luta para manter sua sanidade e parar de ver o espírito de marido, que a acompanha a todo o momento. Uma coisa bastante interessante neste núcleo narrativo é justamente a contraposição destas cenas com as cenas de uma mulher forte e determinada, que mesmo desacreditada vence as eleições gerais e se torna a primeira mulher a ocupar o segundo mais alto cargo político da Inglaterra. As constantes transições entre a rígida Dama de Ferro para a frágil e senil Thatcher funcionam bem para criar um perfil sólido da personagem.


Mas obviamente que esta personificação de Margaret seria apenas mais uma entre tantas, se não fosse pela espetacular atuação da premiada Meryl Streep.


Creio que é desnecessário ressaltar as qualidades desta atriz, ainda mais para aqueles que gostam da sétima arte, mas a verdade é que Meryl é definitivamente igual ao um bom vinho. Quanto mais velha, melhor ela fica e neste filme a eterna Francesca (personagem de “As Pontes de Madison”) vai além. É visível que durante seus estudos e preparação para o trabalho Meryl não se preocupou em imitar os trejeitos e postura de Thatcher mais sim, imaginar como será a Meryl beirando os noventa anos de idade e interpretar aquela pessoa com a oratória de Margaret.


Particularmente acredito que a maquiagem fez um show à parte, pois apesar de vestir Meryl com o estilo de roupa e cabelo de Thatcher (além dos dentes falsos), Mark Coulier e J. Roy Helland criaram uma Meryl com quase um século de idade de forma tão competente, que proporcionam closes de mãos e rosto perfeitos. O espectador compra aquela imagem, por justamente não perceber nenhuma falha de maquiagem, ou maquiagem de falsa aparência.



É importante comentar sobre os tormentos vividos pela personagem que ao final de toda uma vida política se vê perturbada pelas decisões do passado e pelas pessoas que sofreram por conta delas. Mesmo acreditando ter feito o melhor (e muitos ingleses até hoje concordam que sim), a personagem se vê atormentada pelo fardo que carregou durante uma década e essa parte do texto é realmente muito boa, por não misturar verdade com veracidade como defende o escritor Robert Mckee. Naquele momento do filme não importa se Margaret Thatcher realmente passou por esse tipo de sofrimento e sim, mostrar que qualquer líder com boas intenções já sofreu, ou sofrerá, em menor ou maior grau com os atos realizados enquanto chefe supremo, pois por melhores que sejam nossas intenções, somos ainda falhos seres humanos.



De modo geral “A Dama de Ferro” é um filme equilibrado. Peca um pouco com cenas soltas e sem muita conexão mas apresenta uma atuação realmente merecedora do Oscar de melhor atriz em 2012, além de bons e fortes diálogos entre personagens e um final bastante sutil e delicado.





Um abraço e até a próxima =)




Por Eligio W. Junior
Revisão de Cassiana Fabbrini

sábado, 3 de março de 2012

Bravura Indômita - A Machidão do Velho Oeste

Nesta semana eu assisti “Bravura Indômita” no Telecine e logo que descobri o filme na grade de programação do canal, defini que ele seria a base do meu próximo post. Na realidade essa foi a segunda vez que assisto ao filme, pois tive o privilégio de vê-lo no cinema, local onde obras como essa devem realmente ser apreciadas.

True Grit (título original) é um remake da obra de 1969 estrelada pelo saudoso (e macho) John Wayne. Aliás, a machidão da remontagem dos irmãos Coen será a tônica desta análise, que não pode ignorar a característica ímpar dos diretores em produzir obras densas, sem rodeios, psicologicamente complexas e de poucos finais felizes, vide “Fargo”, “Matadores de velhinha”, “Onde os fracos não têm vez” e “Queime depois de ler”.

Logo nos primeiros quadros se percebe a bela fotografia do antigo colaborador de Ethan e Joel Coen, o inglês Roger Deakins. Durante o julgamento do protagonista Rooster Cogburn (Jeff Bridges) somos agraciados com Bridges envolto em uma penumbra resultante da luz que entra por uma fresta no segundo plano. Até aí nada de novo, pois há décadas a luz cinematográfica é utilizada em esquema de feixes de luz que ressaltam as partículas de poeira do ambiente, entretanto naquele momento do filme essa técnica cai como uma luva, pois nele o espectador é pela primeira vez apresentado ao anti-herói Rooster, brilhantemente vivido pelo eterno Dude*. Não posso deixar de comentar os planos externos filmados na natureza desértica, ou nevada de western, onde equilibrar a luz natural com a luz dos atores é um tanto quanto trabalhoso.

Ainda nesta primeira cena de Bridges, o espectador é apresentado ao perfil psicológico do protagonista, sem a famosa utilização de flashbacks que por vezes tornam um filme piegas. Em meia dúzia de perguntas realizadas pelo promotor de justiça, descobrimos que ali se encontra um agente federal beberrão e falido, que dotado de poderes concedidos no pós Guerra Civil possui uma torta maneira de aplicar a Lei e a Ordem. De um jeito pouco convencional e duvidoso, Cogburn é um homem que honra seus compromissos, pune os “maus” e ajuda os “bons”.

Bridges atua de maneira engraçada, com um sotaque bastante carregado e com expressões corporais dignas de Jack Sparrow, entretanto quem realmente rouba a cena é Hailee Steinfeld. Haille dá vida à personagem Mattie Ross com uma autoridade e maturidade inesperada de uma atriz tão jovem. Claro que o roteiro verborrágico colabora, mas só compramos a ideia de uma personagem determinada e ótima negociante, a partir da postura de Hailee e da machidão com que essa garota se sobrepõe as demais personagens personificadas por excelentes atores (Matt Damon, Josh Brolin e Barry Pepper).

Fazer um western bom e crível nos dias de hoje é algo realmente muito difícil e por isso os Coen mereciam um Oscar em 2011. Pena que naquele ano eles concorreram com “O discurso do rei” e para ele perderam a estatueta. Ethan e Joel entregaram um filme violento, mas repleto de cenas cômicas apresentadas nos momentos corretos, como o primeiro diálogo entre Mattie e Cogburn na frente de um banheiro, ou então Cogburn que ao buscar informações em uma espécie de mercearia indígena chuta o jovem índio tanto na entrada, quanto da saída do estabelecimento e ainda a frase de efeito “Se você quer justiça eu esfolo os pés dele e dou pimenta para você passar. Isso te deixa feliz?”.

Os enquadramentos do filme apesar de simples são belos, especialmente aqueles nas terras selvagens, com a neve caindo sob cavaleiros Mattie e Cogburn. A trilha de Carter Burwell é delicada e fortemente marcada por notas de piano, que ajudam a criar aquela atmosfera de velho oeste.

Para encerrar, vale a pena relembrar da cena onde Mattie após ser pega pelo bando de Lucky Ned (Barry Pepper), se vê obrigada a ficar frente a frente com o assassino de seu pai (Josh Brolin) e com ele negociar uma situação de paz momentânea entre as partes, com tremendo sangue frio e coragem.

A obra como um todo não foge muito da jornada básica do herói (chamada para aventura, amparo do mentor ao longo da jornada, entrada no mundo mágico, provação, ressurreição e retorno ao mundo comum) de Campbell, entretanto não se prende exclusivamente a ela como muitos filmes costumam fazer. Talvez por isso “Bravura Indômita” seja um filme tão redondo e tão poderoso em termos narrativos.


Um abraço e até a próxima!

Por Eligio W. Junior
Revisão de Cassiana Fabbrini



* Personagem de “O Grande Lebowski” que em minha opinião, foi a primeira grande atuação de Bridges. Aliás, esse filme também é dos Coen =)