quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem


Com um enredo simples, uma direção impecável e um roteiro super redondo, esse prelúdio da bela série Planeta dos Macacos é em minha opinião, um dos melhores filmes de 2011.


Quando li as primeiras notícias de que os macacos seriam todos digitais, pensei “Putz, que lixo! Como ousam ignorar as maquiagens e próteses tão famosas?”

Meses depois assisti ao primeiro trailler e pensei “Hummm.. Até que não ficou tão ruim, mas ainda não me convenceu”.

E mais um tempo depois, saí da sala de cinema extasiado e feliz pelo dinheiro bem gasto no Cinemark.


Pela característica de prelúdio esse filme possuía um vasto campo criativo para contar uma história que acabaria com todo o universo já estabelecido, ou que iria ao encontro deste de maneira inovadora e lisonjeira. Graças a Deus a produção seguiu o segundo caminho e apesar de assistirmos a uma origem diferente para o líder Caesar, além de uma também diferente explicação de como os macacos desenvolveram inteligência e dominaram o Planeta Terra, é possível perceber algumas referências aos filmes anteriores, como a personalidade pacífica do símio principal, que não luta por domínio, mas sim por liberdade, respeito e direitos.

O roteiro é redondo e as motivações tanto de Will Rodman interpretado por James Franco, quanto do chimpanzé Caesar vivido pelo inglês Andy Serkis são realistas, humanas e simples. Will quer cuidar daqueles que ama como um verdadeiro pai e Caesar, assim como qualquer filho, deseja crescer, aprender e se tornar um ser independente, pronto para o mundo.



Aliás, o relacionamento de ambos é o ponto mais belo da obra. Enquanto eu aguardava por uma história de ficção científica pura e simples, fui surpreendido com um núcleo familiar sólido e bonito. Will luta desesperadamente para curar seu pai, quando sem imaginar é incumbido de criar o pequeno Caesar, órfão de mãe. A maneira como esse relacionamento avô-pai-e-fliho se desenvolve é elegante e dramaticamente interessante.


A próxima cerimônia do Oscar precisa reconhecer o trabalho realizado por Serkis, que apesar de ter filmado sob um macacão cheio de pontos eletrônicos visando captura de movimentos por computador, deu vida à evolução postural, facial e psicológica de Ceasar.

É Serkis quem nos faz acreditar em um animal que ao longo dos anos vai desenvolvendo inteligência e consciência social. Um animal que desenvolve o discernimento do que é ser um animal de estimação e um animal racional. E por fim, um animal que ao alcançar a luz do conhecimento humano da fala, se coloca em posição ereta ao final do filme dizendo “Caesar está em casa”.

Aliás, na última cena do filme o único pensamento que povoou minha mente foi que tudo fazia sentido. Descobrir que o mundo acabou por um vírus criado pelo próprio homem, para ser então povoado e dominado pelos macacos é um argumento facilmente aceitável após os 106 minutos de execução.

Ponto positivo também para os alívios cômicos entre Caesar e o orangotango de circo que aprendeu a falar em libras, ponto positivo a todos os atores que interpretaram os macacos digitais e ponto positivo à Weta Digital por ter criado símios em CGI com perfeição assustadora.




Eligio W. Junior

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Lanterna Verde


Até agora este blog se dedicou apenas a elogiar obras cinematográficas, então creio que é chegada a hora de “malhar o primeiro Judas” eleito, ou seja: Lanterna Verde. Para isso contarei com a ajuda de mais um novo colaborador do time Conversa Pós-Créditos, meu grande amigo Alexandre Heilborn.

Lanterna Verde narra a jornada do super-herói da DC Comics Hal Jordan, o primeiro humano eleito a integrar a tropa dos Lanternas Verdes, guardiões intergalácticos responsáveis em defender cada parte do Universo contra todo mal existente, em seus 3.600 setores espaciais.

O filme é um exemplo clássico de como um diretor e alguns roteiristas podem acabar com uma promissora carreira cinematográfica de um personagem tão adorado pelos fãs.

Martin Campbell já era conhecido em Hollywood por proporcionar ao público e aos bolsos dos estúdios bons blockbusters como A Máscara do Zorro e Limite Vertical, sem mencionar o excelente 007 Cassino Royale, onde com maestria desconstruiu o icônico agente secreto britânico transformando-o em um personagem explosivo, problemático, mais real e crível, além de obviamente galã e loiro. Infelizmente parece que sua criatividade terminou na mesa de pôquer de Bond, pois em Lanterna Verde vemos uma direção no piloto automático, focada na grana paga pelo estúdio, como o próprio diretor declarou recentemente no Omelete.

O filme é executado sob um roteiro raso e sem o apelo emocional de uma franquia bem sucedida como a trilogia Batman de Christopher Nolan. O personagem é absurdamente mal explorado e suas motivações (aliás, apenas uma, que é “sentir medo de tudo na vida”) são fracas, redundantes e beirando a breguice.

Mostrar a origem de um personagem de HQs é, apesar de clichê, algo ainda necessário para o público que desconhece aquele personagem. Entretanto, isso não é desculpa para não realizar tal introdução de forma criativa e apaixonada, como já fizeram Zack Snyder em Watchman e Robert Rodriguez em Sin City.


Lanterna Verde, começa com a introdução de Tomar Re (que nos quadrinhos é o historiador da Tropa dos Lanterna Verdes) apresentando o universo da estória de forma bastante interessante visualmente. Se os roteiristas explorassem mais esse conceito, provavelmente o filme seria mais atraente para fãs e público em geral, pois a profundidade possível de ser encontrada nos gibis sobre esses seres fantásticos é enorme. Tristemente, a obra se fecha em torno de Hal Jordan, terráqueo escolhido pelo anel para ser o substituto de Abin Sur, outrora o mais influentes de todos os lanternas.

Ryan Reynolds, apesar de ter sido massacrado por sua interpretação que não deu vida ao Hal Jordan dos quadrinhos, não pode ser o total culpado pela falta de carisma e dramaticidade, pois quando bem dirigido apresenta bons resultados como no remake Horror em Amytiville de 2005.


Os vilões são também um grave problema no filme!
Parallax, uma entidade cósmica que se alimenta do medo de todos os seres é temido por todos os lanternas e sozinho carregaria um filme, pois possui motivação necessária para um roteiro que desse foco ao seu poder destruidor de planetas e seres. Se isso tivesse sido levado em conta, o primeiro filme talvez mostrasse somente Hector Hammond com seu potencial suficiente para ser o vilão único de uma adaptação. Infelizmente, a motivação dada à vilania de Hector é pouco convincente e manjada, sendo fundamentada em um amor platônico e uma rejeição paterna dicotômica, uma vez que o personagem de Tim Robins (que foi também muito mal aproveitado) ao mesmo tempo em que subestima o filho, dá mostras de preocupação com o mesmo.
Seria então um total desperdício do seu dinheiro assistir a esse filme no cinema?

Se você gosta de uma boa diversão descompromissada dos conceitos que formam a sétima arte e aprecia filmes em computação gráfica 3D, vale a pena comparecer ao escurinho dos multiplex, pois o visual do filme é fantástico. O planeta Oa e todos os lanternas que nele se encontram é muito bem apresentado e até o 3D, apesar de convertido, ficou bom e me transmitiu alguma sensação de profundidade.


Pela complexidade do universo de Lanterna Verde, essa franquia tinha tudo para se transformar em um possível novo Star Wars, porém o dinheiro mais uma vez falou alto na terra do Tio Sam e o descaso com os fãs sacramentaram um filme jogado ao vento, esperançoso em grudar na mente do público teen.






Eligio W. Junior & Alexandre Heilborn

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Indiana Jones: Caçadores da Arca Perdida (Parte Dois de Dois)


Londres, 1980.
Estamos vivendo anos de ouro no entretenimento cinematográfico, mesmo sendo esses conhecidos como Silver Age (críticos adoram rótulos e cultuar os clássicos, independente da qualidade) e temos a oportunidade de acompanhar a fase mais fértil do compositor John Williams que nos brinda com os temas mais marcantes da história do cinema.

Após o marcante motif para Tubarão, a ópera espacial Guerra nas Estrelas, sinais sonoros nos fazendo ter contatos imediatos com o outro mundo, acreditar que o homem pode voar em Superman, Mr. Williams está prestes a deixar sua assinatura em mais uma obra do amigo de longa data Steven Spielberg.

Reunido outra vez com a perfeição da Orquestra Sinfônica de Londres, nasce a famosa marcha que num piscar de olhos nos faz reviver as aventuras de Indiana Jones.


Fazer uma análise sobre essa trilha sonora é um deleite para um velho fã de música de cinema como eu. Sim, eu estava lá, no saudoso Cine Ouro Verde, imenso, munido com minha pipoca que na época não era tão CGI como hoje, no aguardo do filme, desprovido de spoilers, coisa que a internet inventou.

A riqueza de material composto é algo realmente sério. Não se trata de uma trilha branca, ou meros acordes tensos/rômanticos/grandiloquentes. Trata-se de uma sinfonia em si, pontuando a narrativa como poucos conseguiriam.

Usando a LSO em full scale e a ajuda de um coral grandioso, a partitura começa no exato clima sombrio e interrogativo que os créditos iniciais e as cenas pedem. Se hoje a marcha é a marca registrada de Indy, ela só é ouvida após 15 minutos de um crescendo sinfônico perfeito.

Os destaques da trilha que finalmente teve sua versão (quase) completa editada em compact disc começam a despontar a todo vapor na famosa cena onde Indiana corre em desespero da pedra gigantesca. A composição para os metais, em especial os trompetes é de tirar o fôlego.

A complexidade da história e narrativa, deu a Williams a oportunidade de compor vários temas para personagens e situações. Enquanto Indiana tem seu famoso tema, seu interesse romântico da juventude Marion Ravenwood tem uma melodia só dela, composta no estilo das trilhas sonoras de décadas passadas, com o neo-romatismo de Miklos Rozsa, para citar outro mestre.

A Arca da Aliança em si possui um tema quase-religioso, grandioso e solene, ouvido ao decorrer do filme, como a maravilhosa variação na Sala Do Mapa e em full statement no final supreendente. Williams se deu ao luxo de brincar até mesmo com as outras sequências, onde normalmente se ouviria uma trilha vazia, como no jogo das cestas, uma perseguição gato e rato, ouve-se uma peça sinfônica de extremo bom gosto, atuante e discreta ao mesmo tempo. Genial!

O Tour-de-Force da partitura é obviamente a longa perseguição no deserto. Ouso dizer que esses são os 8 minutos de action music mais perfeitos compostos até hoje. E claro, não acho que existirá algo similar. Analisar essa faixa em si já ocuparia páginas e páginas de puro prazer sonoro.

A força que John dá com mais um motif, em crescendos da mais brilhante orquestração, as trompas em fortíssimo, os contra-pontos da tuba, o imenso naipe de percussão, unidos com o preenchimento das madeiras e os fraseados das cordas, elevem a famosa marcha onde ela jamais esteve.

Bem, que mais dizer? É uma obra de arte que realmente completa o filme com esse toque mágico.

Se chegaram até aqui, e pretendem rever esse clássico, proporcionem às suas almas o prazer de "ouvir" o filme um pouco mais. Vale a pena.





Rogério Ferrari

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Indiana Jones: Caçadores da Arca Perdida (Parte Um de Dois)

Indiana Jones - Os Caçadores da Arca Perdida (1981)
Steven Spielberg – George Lucas – John Williams – Harrison Ford



Passei uma semana inteira pensando a respeito do que eu escreveria no meu segundo post...

Eu gostaria de escrever sobre um filme já maduro (pois taxar certos filmes de "velho" é praticamente uma ofensa), mas que ao mesmo tempo ainda se mantivesse jovial. Que a cada vez que eu o assistisse pudesse praticamente sentir seus aromas e paladares, da mesma maneira como sinto ao saborear certos vinhos.

Enfim, vários filmes navegaram por esta mente, vários diretores surgiram em meus sonhos para dizer um cordial "olá", quando finalmente me recordei do primeiro filme assistido no cinema e que realmente marcou minha vida.

Não, AINDA não estou falando de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, pois eu era apenas um bebê quando o filme entrou em cartaz, entretanto tive a honra no auge dos meus nove anos de idade e por bondade de uma tia, ir ao cinema assistir Indiana Jones e a Última Cruzada, meu primeiro filme legendado.

Felizmente eu já conhecia os outros filmes pela telinha e assistir ao encerramento daquela belíssima trilogia no cinema, definitivamente mudou minha maneira de vivenciar a experiência que a sétima arte é capaz de proporcionar.

Foi por isso que decidi homenagear os grandes mestres Steven Spielberg, George Lucas e John Williams através de quatro posts divididos em duas partes cada, dedicados às aventuras de Indy.

Uma vez que minha compreensão técnica musical é ainda limitada e que no universo de trilhas sonoras sou mais um apreciador que entendedor, contarei com a ajuda de Rogério Ferrari nesta minha maratona Jones, pois nada melhor que deixar os comentários sobre Williams a cargo de um competente músico e fã declarado do compositor. Roger cuidará das partes II e esperamos que você goste desta parceria!

Bom, chega de rodeios e vamos ao que interessa!



Existe uma lenda em Hollywood que Raiders of the Lost Ark surgiu da vontade de Spielberg em escrever sobre o lendário explorador inglês Percy Harrison Fawcett. Seu segundo nome seria um spollier de casting décadas antes, ou mera coincidência?

Fawcett foi um arqueólogo, explorador, ex-agente secreto do MI6 e amigo de Arthur Conan Doyle e acredita-se que Doyle escreveu O Mundo Perdido com base nas aventuras vividas por seu amigo.

Em 1925 o Coronel Fawcett junto de seu filho e um amigo de seu filho chamado Raleigh Rimmell, se embrenharam mata adentro na Serra do Roncador no Estado do Mato Grosso, à procura da cidade perdida de “Z”. Em 29 de Maio daquele ano se deu a última comunicação com a humanidade, uma vez que, após isso nenhum dos três foi encontrado.


Lenda Hollywodiana ou não, o personagem Indiana Jones tem muito a ver com o bravo Fawcett, pois é um professor universitário de arqueologia apaixonado e dedicado à procura dos artefatos a muito perdidos no tempo. Indy é o exemplo de integridade e fidelidade aos seus propósitos, pois apesar de mulherengo, brigão e ligeiramente trapaceiro, Henry Jones Junior sabe e demonstra muito bem a diferença entre o certo e o errado, o bem e o mal, e o limite entre arriscar, ou perder sua vida para trazer à luz do conhecimento coletivo um novo artefato histórico.

Os alívios cômicos, transições inteligentes e ações bem planejadas são a tônica deste primeiro e de todos os outros filmes da franquia.

A primeira bela transição surge logo nos primeiros segundos da película, quando vemos o símbolo da Paramount ganhar vida e se tornar uma montanha na América do Sul. Um golaço do diretor que não contava com CGI, mas "apenas" com um talento ímpar e grande percepção artística. Aliás, ponto também para George Lucas que produziu o filme e certamente teve muita dor de cabeça para encontrar locais bons e críveis para as tomadas externas, sem mencionar os imensos estúdios utilizados para as internas.

Outro tipo de transição usada que virou marca registrada da franquia e que até hoje povoa minha imaginação, são os mapas de países pelos quais Indy passa sempre que está em alguma viagem internacional. A primeira amostra que temos é de sua viagem dos Estados Unidos até o Tibet, em busca de uma Marion (vivida pela atriz Karen Allen) campeã de levantamento de copo, a propósito, um alivio cômico que funcionou tão bem, que foi reciclado vários minutos depois na cena entre Marion e Belloq.

Já que eu comecei a falar sobre alívios cômicos, separei os que julgo serem os melhores:

• atuação paspalhona do iniciante Alfred Molina (muito antes de virar o policial cheinho de Law and Order LA) no papel de Satipo, tentando com os dedos imitar seu patrão Indiana que está prestes a trocar o ícone de ouro por um saco velho cheio de areia. Ele aparece pouco no filme, mas seu “Si Señor” faz valer sua participação;
• o cabide de paletó nazista em forma de tchaco de kung fu. É impossível não esboçar um sorriso naquela cena;
• aranhas, cobras, ratos e muito outros bichos! Quem não se lembra de Indy caindo no poço onde encontrará a arca e topando com uma naja que foi gravada atrás de um vidro. Vidro que por sinal, refletiu a imagem do ator durante as gravações;
• por fim as cenas de sedução atrapalhadas entre Indy e Marion no barco pirata. Dá-lhe Indy levando espelhada na testa, caindo no sono bem no momento onde as coisas começam a esquentar entre os dois e a acertada fala da atriz "Você não é mais o homem que eu conheci 10 anos atrás", com a réplica de Harrison Ford "Não são os anos docinho. É a milhagem".


Assim como Clint Eastwood, Spielberg sabe trabalhar muito bem as sombras e a subjetividade de uma cena. O primeiro enquadramento de corpo inteiro e frontal de Indy ocorre somente após os primeiros três minutos de filme, entretanto escondendo seu rosto sob a sombra do chapéu. Outros planos foram registrados para contar a ação sobre um ponto de vista subjetivo, como a sombra de Indy dentro do bar de Marion, a sombra como reflexo de um raio refletindo o herói e seu chapéu sobre a caixa de pedra que guarda o recipiente contendo a Tábua de Moisés com os Dez Mandamentos (ou melhor, a Arca da Aliança), além da sombra de Indy e seu amigo Sallah (também conhecido como o Anão Gimlly de O Senhor dos Anéis) carregando a arca dentro do antigo templo.

Além dos jogos de sombra, Spielberg trabalhou muito bem a subjetividade para mostrar a decapitação de um nazista. Em uma cena que seria visualmente muito forte, Jones luta com um grandalhão aos pés de um avião em funcionamento. Assim como fez em Munich, o diretor mostra a explosão de uma cabeça através do sangue que espirra em um contra-plano, que naquele caso era a fuselagem do próprio avião.

Confesso que procurei erros nesta bela obra e consegui apenas listar a briga de Indiana com um nazista dentro de um caminhão, com o nazista sendo jogado para fora do veículo e atropelado de maneira pouco convincente, além da cena onde o herói nadando em alto mar alcança o submarino alemão inimigo, sobe no mesmo e com ele viaja várias léguas sem que a embarcação afunde mar adentro, como faria qualquer submarino de guerra.

O leitor pode questionar as inúmeras cenas providenciais como uma porta de pedra que fecha segundos depois do herói conseguir passar pela mesma, ou um cipó no momento exato, ou então uma saraivada de flechas tribais em forma de armadilha que nunca acertam Indy, mas a verdade é que Indiana Jones foi criado visando entretenimento puro e simples e não para transformar qualquer tipo de ação em algo crível, super certinho e próximo da realidade, como costuma fazer Christopher Nolan por exemplo. Aliás, até Nolan comete alguns exageros, pois se não cometesse, não faria cinema.

Encerrando esta longa análise, eu não poderia deixar passar em branco a fatídica cena no meio do deserto onde o personagem Belloq está travando uma batalha mental com Indiana, e o ator Paul Freeman engole uma mosca sob os olhos da câmera e o pior: em close!

Se aguentou ler essa longa homenagem até aqui, aproveite para desenterrar seu VHS, DVD, ou Blu-ray e assista novamente esse grande clássico.









Eligio W. Junior

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Capitão América: O Primeiro Vingador



Olá leitor,

Esse é o primeiro post deste blog e por isso resolvi começar falando do filme Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger).

Minha escolha foi basicamente uma forma de agradecer indiretamente a Marvel Studios, pois foi durante a exibição dos créditos finais que decidi realizar em texto
, aquilo que tenho feito nos últimos 10 anos através de conversas informais, ou seja, analisar filmes não sob a ótica crítica acadêmica, mas com o ligeiro amparo de conhecimentos técnicos, enriquecidos pela opinião de um fã de música, cinema e quadrinhos.

Se você ainda não assistiu ao filme então volte depois, uma vez que esse post é 100% spoiler.


Capitão América é a peça final do quebra-cabeça criado pela Marvel Studios em 2008, a partir do filme Homem de Ferro. Juntamente de Tony Stark, Thor, Nick Fury, Viúva Negra, Hulk e Gavião Arqueiro, o herói Steve Rogers formará pela primeira vez no cinema a equipe Os Vingadores.

Confesso que eu estava muito receoso com o filme, principalmente com o fato de Chris Evans interpretar o protagonista. Afinal, quem não se lembra das suas atuações “Casanova sem mojo” nos filmes do Quarteto Fantástico?



Outro que me causava preocupação era o diretor Joe Johnston, que apesar de possuir bons filmes como Rocketeer e Jumanji no curriculum, vinha do recente fiasco O Lobisomem.

Preocupações à parte, lá fui eu com minha recém adquirida camiseta do Capitão América verificar se meus medos se tornariam realidade e felizmente as primeiras cenas tranqüilizaram meu espírito nerd.

Os primeiros minutos da obra são dedicados a contextualizar Steve Rogers como um franzino e doente homem, dotado de um espírito nobre, simples e incorruptível. A mesma tecnologia de O Curioso Caso de Benjamim Button aplicou o rosto de Evans a um corpo que em minha opinião, parece pertencer a um jovem magro e mais baixo. Diga-se de passagem, a técnica parece ter sido aprimorada, pois em momento algum a aparência do personagem deixa de ser crível. Os momentos onde ele mexe no próprio cabelo, veste uma camisa, ou o gigante capacete, certamente ganham a confiança do público.



Logo após passar pelo procedimento que o torna um super soldado, Evans nos agracia com uma atuação muito sóbria e fiel ao Capitão América dos quadrinhos. Em momento algum o ator fornece aquele sorrisinho de canto de boca cafajeste característico e para melhorar a situação, consegue manter a mesma expressão do antes e depois da transformação. Vale ressaltar que a mutação em si ficou muito bem resolvida e ao invés de gastar mais alguns milhares de dólares mostrando o personagem crescendo e se fortalecendo, a produção optou por algo mais simples como a transformação dentro de uma espécie de dama de ferro o que a propósito, tem tudo a ver com o clima de Segunda-Guerra Mundial do filme.

Como já comentado por outros veículos como o
Omelete, os alívios cômicos são ótimos e na dose certa. Tudo bem que ter um Tommy Lee Jones e o mestre Stan Lee ajuda muito, mas os roteiristas merecem todo crédito por acertarem naquilo que Thor deixou a desejar.

As motivações de Capitão América são bem estruturadas e graças a isso não vemos nenhuma mudança abrupta do comportamento de algum personagem. Nenhum Anakin se rendendo a Palpatine em questão de minutos e de joelhos implorando “Yes Master”.

O ótimo Hugo Weaving com sua “caveira vermelha” está ali para dominar o mundo por pura ganância pessoal, ao mesmo tempo em que Rogers está na guerra não para matar nazistas, mas sim, lutar contra aqueles que se dedicam à maldade humana. Mais um ponto para Christopher Markus e Stephen McFeely que conseguiram resolver a seguinte questão de roteiro: como justificar mais um herói americano salvando o mundo, em épocas onde os soldados americanos não são bem vistos por boa parte dele?

Sobre a versão em 3D do filme eu confesso que não posso tecer comentário algum, pois preferi ver o 2D normal. Atualmente defendo a opinião que para gastar em um ingresso mais caro, o filme precisa ser filmado em 3D estereoscópico como Avatar. Pagar para ver um filme convertido é sempre um risco, pois raros são os filmes que proporcionam alguma noção de profundidade.

Finalizando esse papo, Capitão América é como diria meu grande amigo e quadrinista
Eduardo Ferigato, “um ótimo filme até se ignorarmos o fato dele ter surgido dos quadrinhos”. A Marvel acertou a mão desta vez e fica agora a minha torcida para que Os Vingadores possa ao menos ficar no mesmo patamar.


Um abraço e até a próxima!

Cheers mates =)