segunda-feira, 17 de março de 2014

Reminiscências do Oscar 2014: O Lobo Perde o Pêlo, Mas Não o Vício.


Há três Domingos assisti a ascensão e queda de um mito. Ascensão porque fui conferir in loco – durante quase três horas – O Lobo de Wall Street. O filme, sob meu ponto de vista, é muito parecido com O Grande Gastby, mostrando sempre o que uma pessoa “podre de rica” pode fazer, só que desta vez não é para conquistar o amor da sua vida, é para... bom, o roteirista não tinha uma idéia muito clara do que ele queria, então ele tentou nos confundir bastante.

O longa foi classificado no gênero comédia (comédia dramática, pode isso?). Só se for comédia de “humor negro”. Durante a cerimônia do Oscar 2014, Rubens Ewald Filho disse que era indicado “para não assistir ao lado de sua mãe”, então se não dá para apresentar à família meu bem, coisa boa não há de ser! 

Não vou desperdiçar seu tempo, caro leitor, mas o filme tem que ser visto para se ter uma opinião própria. Na minha, quis levantar e sair do cinema várias vezes, mas não o fiz, esperando a redenção no último minuto (que não veio). Quando subiram os créditos, o silêncio da platéia atônita era tão forte, que eu pude sentir a decepção velada em vários rostos. 

Chegando a minha casa, fui aproveitar e conferir o Oscar e obviamente deu Matthew McConaughey pelo excelente trabalho de composição da personagem em Clube de Compras Dallas. Leonardo, triste, lamentou a perda “novamente” ao final da entrega a um repórter. Ora, não seria necessário comparar, mas vejamos: Mathew faz uma ponta no filme de Wall Street: é ele que dá ao novato Jordan (DiCaprio) duas dicas de como fazer para sobreviver ao stress do trabalho naquela “selva” (muito sexo e muita droga) e o pupilo segue o mestre à risca. Em 5 minutos, Matthew sintetiza o que Leonardo passou 3 horas executando. Nestes casos, menos é mais: foi assim que Anne Hathaway ganhou o Oscar ano passado por atriz coadjuvante com Os Miseráveis.

Ouvi Ellen Degeneres, que foi a apresentadora deste ano na festa, dizer que nada mudou desde que ela apresentou pela última vez (piada com o fato de Di Caprio, Meryl Streep e Cate Blanchett serem indicados novamente) e sim, é verdade! As duas atrizes são maravilhosas. Meryl, nossa musa, já ganhou um post exclusivo aqui no blog e certa vez declarou que compõe personagens para seus trabalhos e depois se despede deles. Pois coisa que o então, injustiçado, DiCaprio não aprendeu ainda a fazer. 


Jack (Titanic), Frank William Abagnale Jr (Prenda-Me Se For Capaz), Howard Hughes (Aviador), Jay Gatsby (O Grande Gatsby) e Jordan Belfort (O Lobo de Wall Street), todos muito parecidos: meninos pobres que sonham em ficar ricos e se perdem no meio do caminho (exceção para Jack que morre antes de conseguir o feito). Não vislumbro, desta maneira, como diferenciar sua atuação, que é sim, visceral, mas não sai do mesmo. Jordan tinha nitidamente os trejeitos de Gatsby: postura, entonação de voz, olhar, tudo! Aliás, para mim, no fundo, DiCaprio interpreta Leonardo. 


Dizer que a academia tem preconceito contra gente bonita é um discurso vazio. Jared Leto (da banda 30 Seconds to Mars), após muitos anos afastado da função de ator, arrebatou a crítica fazendo um transexual portador de HIV no mesmo Clube de Compras Dallas, de Matthew e levou o primeiro Oscar da noite, por ator coadjuvante.

Ao invés de investir tanto tempo em namorar beldades, participar de festas, ir a jogos de basquete e fazer poses de bom moço em causas sociais, talvez Leo devesse gastar seu tempo dedicando-se à procurar, produzir e atuar em filmes que o tirassem da sua zona de conforto: de menino problemático. Quem sabe assim o “injustiçado” fará jus a estatueta careca e dourada!



Texto de: Cassy Fenga

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O HOMEM DE AÇO


Não é novidade que Hollywood passa por um momento onde a criatividade necessária para produzir blockbusters (preferencialmente em três dimensões que rendem números mais gordos de bilheterias) é cada vez mais escassa. São raros os argumentos verdadeiramente bons e engajadores, fazendo com que a indústria de cinema canalize todos os seus esforços e verbas em filmes baseados em histórias em quadrinhos, que por natureza já carregam consigo uma legião prévia de fãs, ou em remakes, prequels, sequels e reeboots de obras famosas e idolatradas, que, em teoria, são fonte certa de lucro.

Assim como os novos Jornadas nas Estrelas, Homem Aranha e Batman, O Homem de Aço (Man of Steel) segue a filosofia de recontar e ignorar (ao menos em partes) tudo o que já foi estabelecido sobre o super herói mais famoso de nossa história recente.

Fruto da união de Zack Snyder (300 e Watchmen), cineasta ciberpunk viciado em histórias em quadrinhos e Christopher Nolan (nova trilogia Batman), produtor e atual messias do universo DC nos cinemas, O Homem de Aço mostra um super homem reformulado, mais agressivo, cheio de conflitos e másculo, arrancando suspiros das mocinhas em cenas sem camiseta, ou em closes no apertado collant. 

Como já apontado por muitos, a direção de Snyder é visivelmente contida, resumindo-se a prestar homenagens indiretas ao primeiro longa de 1978 (Superman - O Filme, de Richard Donner, com o inesquecível Christopher Reeve), sobrando apenas espaço para os “zoom in – zoom out”, já consagrados na filmografia do diretor. Seus fracassos nos dois últimos filmes A Lenda dos Guardiões e Sucker Punch - Mundo Surreal certamente fizeram pesar a mão de Nolan, que juntamente de David Goyer (roteirista e parceiro de longa data) exagerou no núcleo “Planeta Terra”, talvez com a preocupação de não deixar pontas soltas e criar um vínculo emocional forte entre o “alienígena de Krypton” e a famosa repórter Louis Lane, mesmo tipo de erro cometido por Kenneth Branagh em Thor (2011).

A grande mudança contextual de Louis na vida de Clark (vivido pelo praticamente desconhecido Henry Cavill), além de não agradar aos antigos fãs de quadrinhos, ou dos filmes de Reeves, fez com que se perdesse muito tempo de projeção para desenvolver a relação de ambos, desperdiçando preciosos e caros minutos que poderiam ser mais bem aplicados no desenvolvimento do protagonista.


Outra alteração significativa é que agora temos um Kal-El mais sombrio e com razões para desconfiar da humanidade, fornecendo argumento que pode, ou não, ser utilizado nos próximos filmes como motivador para aproximá-lo de nós, reles humanos. Confesso que aplaudi esta mudança, até por ser um fã de longa data do Cavaleiro das Trevas. Retratar o protagonista como um imigrante interplanetário, dominado por sensações humanas como a raiva e arrependimento, foi uma jogada de mestre. Pontos para Nolan, Goyer e também Michael Shannon, que interpretou o ótimo e insano vilão General Zod.

Em Man of Steel também vemos um roteiro com falhas que, por exemplo, não explicam a “transmissão em super wifi intergaláctico” da consciência de Jor-El de Krypton para Terra. Tecnicamente o uso de flash-back como artifício para narrar eventos passados é interessante, quando aplicado na dose certa. Intercalar uma série de cenas de ação com momentos do passado de Clark em outro ritmo, outra trilha sonora e outra paleta de cores me causou uma sensação de estranheza quanto à edição do longa. Espalhar flash-backs durante uma projeção funcionava muito bem na série Lost, porém neste filme eu preferiria ter assistido à sequencias inteiras de cenas pretéritas, a vê-las de forma fragmentada, atrapalhando o andamento da narrativa principal.

Alternando entre pequenos problemas e cenas de babar, o longa conseguiu definir uma personagem mais próxima da nossa realidade e da nossa ciência, deixando apenas a saudade da antiga e espetacular música tema criada por John Williams, preterida pelo questionável Hans Zimmer.

Aguardemos sua próxima aventura já anunciada este ano na Comic Con , que terá com o título Superman versus Batman.


Um abraço, para o alto e avente!

Texto de Eligio W. Junior

terça-feira, 4 de junho de 2013

Homem de Ferro III

   

Perdendo apenas para Avatar, Titanic, Os Vingadores, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II, Homem de Ferro 3 acaba de se tornar a quinta maior bilheteria da história do cinema e isso graças ao excelente planejamento e amarrações de roteiros gerenciados pelo Estúdio Marvel, do primeiro filme da franquia Iron Man até o longa dos Vingadores.
Enquanto em Homem de Ferro 1 vimos um Tony Stark se tornando um herói enlatado com complexo de Deus e esbanjando canastrice, em Homem de Ferro 2 encontramos uma personagem privatizando a paz mundial (palavras do próprio Stark) e lutando para não morrer nas mãos daquilo que ironicamente é sua fonte de poder (o reator de palladium no meio do peito), para finalmente em Homem de Ferro 3 acompanharmos a jornada de “morte e ressurreição” do principal vingador, “gênio, bilionário, playboy e filantropo” (fantástica frase de efeito em Os Vingadores!), que se verá impotente mesmo dotado de enorme inteligência e incontável riqueza. 

Os últimos minutos da película deixam espaço para outros projetos, da mesma maneira que encerram o ciclo criado no primeiro filme. Pela primeira vez assistimos mais de Stark, que passará um longo tempo de projeção sozinho e em busca de caminhos que levem à derrota do perverso vilão Mandarim. O tom nostálgico e reflexivo destes momentos cria o ambiente adequado para o grandioso clímax final, algo diferente dos filmes anteriores e é exatamente por isso, que este filme funcionaria perfeitamente bem como um desfecho derradeiro para Tony e seus brinquedos artificialmente inteligentes. Particularmente não acredito que este será o último longa, ou o último a contar com Robert Downey Jr no papel do protagonista, até porque “Bob” consegue arrancar contratos exponencialmente milionários a cada novo filme.
Sim, Homem de Ferro é apenas mais um filme sobre acontecimentos impossíveis e situações improváveis, mas isso não importa! Ainda mais aos fãs de fantasia e ficção, pois esta é a mais completa franquia dentro deste novo universo Marvel, divertindo e envolvendo o espectador comum com diálogos afiados, atuações precisas oriundas de atores de peso (vale lembrar que o estúdio foi pioneiro ao investir em elencos milionários para elevar o nível dos filmes de heróis, até então desacreditados), efeitos especiais críveis, ao mesmo tempo em que agrada aos fãs de quadrinhos de longa data, com referências diretas dos gibis (os anéis de Mandarim, a armadura do Patriota de Ferro, a Mark 42 sendo recarregada na tomada e assim por diante).

Infelizmente os milhões investidos em cada projeto obrigam os roteiristas a darem mais espaço de tela a Stark e suas batalhas, deixando poucos minutos para os vilões tentarem, sem sucesso, roubar a cena. Por isso fizeram mau uso do eterno Dude Jeff Bridges (Obadiah Stane) na Parte Um, quase acertaram com Mickey Rourke (Ivan Vanko – Whiplash, que por sinal foi o melhor vilão até o momento) na Parte Dois e não conseguiram convencer com o esforçado Guy Pearce (Aldrich Killian) que perdeu espaço para o fantástico e hilário Sir Ben Kingsley (Mandarim) nesta Parte Três.

Homem de Ferro
é um filme para quem gosta do cinema bem realizado e bem atuado (ao menos por porte dos protagonistas). Para quem adora uma boa aventura e para todos os espíritos jovens que conseguem se entregar a uma viagem fictícia sem medo e vergonha. Ou seja, minha recomendação MÁXIMA!!!

Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quando um Cantor Vira Ator (Parte II)


David Bowie poderia se encaixar nessa lista de cantores que viraram atores, mas quem acompanha sua longeva carreira, sabe que interpretar frente às câmeras é algo tão natural a ele, quanto cantar com aquela belíssima voz grave, aveludada e sexy... Desculpe a empolgação (suspiros).

Desde sempre Bowie mesclava sua música em shorts vídeos, clipes e shows performáticos, criando personagens próprias de sua mente artisticamente borbulhante. Afinal, Ziggy Stardust, Thin White Duke poderiam perfeitamente ser protagonistas de Labirinto ou Fome de Viver (para citar apenas duas obras cinematográficas do mestre camaleônico), mas fizeram parte do enredo de álbuns que mudaram a história da música.


Não à toa, seu primeiro grande papel foi como um alienígena no singular O Homem Que Caiu Na Terra (1976), filme no qual quem não conhecia David como cantor (existe isso?), não notou nenhuma deficiência na arte de atuar, tamanha identificação com o weird/freak exigido pelo papel.  


Tendo toda sua obra intrinsecamente ligada com o aúdio-visual, nota-se que não houve na verdade um turning point de cantor para ator, e sim uma expansão do universo Bowie, pois cá entre nós, o que ele representa no mundo da arte não cabe em apenas uma forma de expressão. Considero Bowie o inventor do conceito multimídia em sua excelência, e se aqui devemos citar seus trabalhos cinematográficos, abaixo forneço algumas dicas para o leitor se deliciar com nosso querido Ziggy.

Além do imperdível O Homem Que Caiu Na Terra, vale muito dar uma espiada em Furyo, Em Nome da Honra (1983), filme denso com grandes conotações históricas e tradicionais.

Labirinto - A Magia do Tempo (1986), do mestre Jim Henson, onde Bowie além de estar com o melhor wardrobe de um show nunca realizado, compôs as canções do filme (algumas em parceria com Trevor Jones, compositor da parte sinfônica) e as canta com sublime sensibilidade. Destaque óbvio para a eterna As The World Falls Down. Ouví-la e ver Bowie/Jareth, The Goblin King e a belissíma Jennifer Connelly foi um dos momentos mais marcantes dos anos 80.


Fome de Viver (1983), completamente Cult movie do finado Tony Scott, no papel de um centenário vampiro, com Catherine Deneuve, Susan Sarandon e muita umidade.  


A Última Tentação de Cristo (1988), visão não tão aceita de Martin Scorcese sobre Jesus. David faz um Pilatos com uma belíssima voz e plácido, como raramente é visto.


Basquiat - Traços de uma Vida (1996), onde David nos inunda interpretando Andy Warhol. Elenco monstruosamente top, de Christopher Walken a Gary Oldman. Uma obra de arte para os de fino gosto e alma plena, ou seja, imperdível.  


At last but not least, O Grande Truque (2006), de Christopher Nolan, onde o gênio loiro interpreta o genial Nikola Tesla (não a bandinha de Hard Rock!!!). Não sou fã do diretor em questão e nem Wolverine (leia-se Hugh Jackman), ou Batman (leia-se Christian Bale) juntos tem tanto sabor quanto o Bowie!


Well, acho que é isso! Não se prenda a um álbum, um filme... até mesmo seus vídeo clipes são graciosas amostras de genialidade. Duvida? Então confira o novo video clip The Next Day com Gary Oldman e Marion Cotillard!

Redundâncias à parte, digo que Bowie é mais do que um cantor, um ator, ou qual palavra tentemos usar para adjetivá-lo. Bowie is Bowie e ponto final.



Texto de Rogério Ferrari

terça-feira, 14 de maio de 2013

Evil Dead - A Morte do Demônio



Antes de se tornar mundialmente conhecido pela primeira trilogia do Homem Aranha, o jovem Sam Raimi teve a ideia de fazer um filme sobre um demônio que perseguia jovens para tentar possuir suas almas em uma cabana, no meio de uma floresta. Com esse argumento em mãos, nascia A Morte do Demônio (1981), título escolhido pela Look Filmes, distribuidora brasileira do filme que foi sucesso em todas as locadoras da época.

Sam Raimi já havia criado uma prévia do clássico em 1978, quando dirigiu o curta metragem Within the Woods e após três décadas do lançamento desde verdadeiro cult, Raimi retorna o universo que criou, mas desta vez como produtor do remake dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, conhecido pelo curta scifi Ataque de Pánico! (2009).
 
Diablo Cody (premiada pelo roteiro de Juno) reescreveu a premissa de jovens sendo perseguidos na floresta por uma entidade, para uma jovem que, com ajuda de amigos e um irmão, tenta se livrar da dependência química em uma cabana de herança familiar. Por não aceitar a renúncia e precisar lidar com as consequências da abstinência, a protagonista apresenta atitudes alucinantes e nada coerentes, no mesmo momento em que um professor universitário liberta o demônio aprisionado em um livro escrito com sangue e feito por tecido humano, o mesmo O Livro dos Mortos do longa original.
 
 
Adaptada para uma realidade atual e mais coesa, esta nova versão é extremamente violenta e agonizante, abandonando o suspense original e o humor característico da década de 1980. Fede Alvarez demonstrou coragem ao manter a nojeira do original, porém indo além e abusando com um gore de dar inveja a qualquer Jogos Mortais. Alvarez também retratou alguns elementos clássicos que agradaram a maioria dos fãs, apesar de muitas cenas não fazerem jus ao clássico, que por sinal foi um divisor de águas. Até por isso me pergunto: era realmente necessário efetuar este remake?
 
 
Raimi e Alvarez já comentam sobre uma possível futura trilogia, ou mesmo sobre a volta do saudoso Ash à sua eterna cabana, algo que certamente animaria antigos fãs como eu, pois confesso que esta repaginada me causou mais mal estar do que a diversão que senti décadas atrás.
 
A propósito, não perca a cena pós-créditos!
 
Texto de Alex Heilborn

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Hitchcock


Como contar a história de um gênio em menos de duas horas?
Como homenagear o mestre do suspense de maneira respeitosa e digna?
Simples! Narrando apenas uma parte de sua vida, um evento significativo e neste caso, apenas a história de Alfred Hitchcock em torno da construção de sua grande obra-prima, Psicose.

Baseado no livro Os Bastidores de Psicose do autor Stephen Rebello, Hitchcock é um filme de riquíssima direção de arte (que nos menores detalhes reproduziu a Holywood dos anos cinqüenta), perfeita maquiagem (que realmente trouxe Alfred à vida), linearidade narrativa e sem receio em mostrar o lado perturbado deste diretor, até hoje estudado por qualquer amante de cinema.

Segundo palavras do próprio Sacha Gervasi (diretor do filme), a ideia era ter um ator que não imitasse Hitchcock, mas que interpretasse o mesmo de maneira “Hitchcockiana”. Nunca ter dirigido um longa metragem não foi problema para Sacha, que contou com dois sólidos pilares chamados Helen Mirren (A Rainha) e Anthony Hopkins (o eterno Hannibal Lecter), que por esta atuação merecia ter concorrido ao Oscar de Melhor Ator em 2013.


Eu poderia comentar sobre a bela e encantadora participação de Scarlett Johansson (Os Vingadores) como Janet Leigh, ou então Danny Huston (X-Men Origens: Wolverine) na função de ponto de conflito entre o casal protagonista, mas a verdade é que Hitchcock é e sempre será sobre Hitch e Alma!

Dotado de grande simplicidade e poderosos momentos cênicos, este é um daqueles filmes que "enche os olhos" de assistir. Momentos como a briga conjugal ao final do segundo ato é, além de forte, uma amostra da genialidade e egocentrismo de Alfred, um homem perturbado com a própria e fantástica mente, além da eterna busca pessoal pela perfeita loira “Hitchcockiana”.


Com uma linda trilha sonora, Danny Elfman me fez lembrar seus tempos de Gênio Indomável (1997), com mais notas de piano e menos orquestrações típicas dos filmes de pesado orçamento. Vale comentar que Hitchcock foi lançado pela Fox Searchlight Pictures, braço da Fox voltado a filmes mais baratos, autorais, distantes do mercado de blockbusters e realizados entre dois ou mais países.

Além do histórico agradecimento à sua esposa no AFI Life Achievement Award de 1979, eu não saberia dizer se a romântica frase do final do filme (sem spoiller) realmente existiu, mas independentemente disso, a forma pouco floreada e direta como ela é dita à Alma, a torna uma belíssima homenagem a esta grande mulher, que sempre esteve atrás deste eterno ícone da sétima arte.


Um abraço e até a próxima!

Texto de Eligio W. Junior.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Velvet Goldmine - O dia em que Batman dormiu com Obi Wan Kenobi !!!

 
David Bowie, Iggy Pop, Marc Bolan, Lou Reed, Suzi Quatro, Gary Glitter... Se nenhum desses nomes lhe disser algo particularmente íntimo, não leia o que vem a seguir... Fuja do filme em questão, pois ele pode danificar seu cérebro!!!
 
Falar sobre Velvet Goldmine é como contar um pouco da vida que vivi e talvez a vida de muitos de vocês que estão lendo e esperando algo além de uma crítica corriqueira.
 
Obviamente é um filme para poucos, não há como ser um telespectador curioso. Quem é amante do Glam Rock, de toda uma década de abusos, experimentalismos, androginia e liberdade, vai se deliciar com o mostrado tão explicitamente pelo diretor Todd Haynes (do perturbado Não Estou Lá). Em contrapartida, o conhecedor superficial desse estilo (e quanto estilo !!!) não vai entender nenhuma citação, nenhuma ligação, e preferirá assistir algo mais brando e insípido produzido em série por Hollywood. Afinal, mas que raios de roupas são essas???
 
Velvet é escancaradamente baseado na vida colorida, ácida e maquiada de David Bowie, transformado no filme em Brian Slade e interpretado com toda extravagância e umidade necessárias por Jonathan Rhys-Meyers (August Rush, From Paris With Love). Temos ainda Iggy Pop, que virou Curt Wild, magistralmente sem pudores vivido por Ewan McGregor (Moulin Rouge, Star Wars Prequels), Christian Bale (Império do Sol, Trilogia Batman) no papel do repórter assombrado pelo seu passado na revolução sexual e obviamente, a sempre freak/competente Toni Collette (O Casamento de Muriel, Pequena Miss Sunchine) como a esposa de Brian.
 
 
Num enredo muito bem trabalhado, onde cada nuance do mundo artístico é mostrada, a narrativa vai emendando a vida de cada personagem de forma coesa, desde a infância de quem se tornou o artista, até a vida e traumas de quem era o simples fã influenciado a extremos digamos, inevitáveis.
 
Todo destaque é claro, fica por conta da trilha sonora e figurinos, ambos recriados com maestria e detalhes onde mesmo quem não viveu ou não conheceu a fundo os costumes da época, se sente imerso na purpurina, glitter, lipstick traces (got it?) e eyeliners.
 
 
Na pré produção, David Bowie não cedeu os direitos de utilização de suas músicas, alegando que tinha o próprio projeto sobre a cena Glam dos anos 70, planejado para o futuro. Digamos que nosso querido Ziggy Stardust indiretamente nos fez um favor, pois as canções originais compostas para Velvet Goldmine são deliciosamente hipnotizantes. Não posso deixar de citar a trilha instrumental, sutilmente perfeita de Carter Burwell, que dá o toque monolítico da obra.
 
Sim, finalmente para nós, freaks, glams (os originais, não me venha com farofas...) descobrimos que Oscar Wilde, além de extra-terrestre, foi padrinho de toda cena glam européia e tinha um tremendo bom gosto para jóias!
 
Hot one a todos!
 
 
Texto de Rogério Ferrari